Celebração dos 500 anos de Camões dura em dois anos e foca-se nos jovens

por: António Manuel Teixeira
Celebração dos 500 anos de Camões dura em dois anos e foca-se nos jovens
António Cotrim/Lusa

"A melhor forma de celebrar Camões continua a ser divulgar e conhecer a sua obra, que as suas palavras façam eco nos corações dos jovens e que lhes despertem novas significações".

As celebrações camonianas desenrolar-se-ão em três âmbitos: um de "natureza cívica e cultural", outro "no estudo e na crítica científica" e outro na educação. As comemorações decorrerão entre 10 de Junho de 2024 e 10 de Junho de 2026.

A apresentação decorreu no Mosteiro dos Jerónimos "o lugar certo" para o fazer, como disse Dalila Rodrigues, e contou com a presença, entre outras personalidades, do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e dos ministros de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, e da Presidência, António Leitão Amaro.

A intenção do Governo é que os 500 anos de Camões sejam celebrados "de forma aberta e plural, no modo que é próprio de um regime democrático e inclusivo, capaz de no seu seio tanto celebrar um Camões histórico como um Camões mítico", afirmou o primeiro-ministro.

"Nós não queremos celebrá-lo de um modo passadista ou saudosista, como também não queremos modernizá-lo em termos anacrónicos ou falsificadores da verdade histórica, da verdade histórica de Luís de Camões. Pretendemos antes, isso sim, situá-lo no espaço e no tempo que foram os seus", disse Luis Montenegro.

"A melhor forma de celebrar Camões continua a ser divulgar e conhecer a sua obra, que as suas palavras façam eco nos corações dos jovens e que lhes despertem novas significações, novos mundos, mesmo novas interpretações. Que os versos de Camões façam sentido, 500 anos depois", defendeu o chefe do Governo.

"Camões não é, nunca poderá ser propriedade de um concreto regime político, porque Camões é Portugal, Camões é povo, Camões é a essência livre da alma portuguesa, do ser português. Não pode por isso ser cativo, se não da nossa memória, da nossa admiração, do nosso tributo enquanto nação. Por isso, celebrar Camões no século XXI é fazê-lo com humildade, e com humildade democrática, diante da sua grandeza e da obra que nos legou", acrescentou.

"Ao assumir estas linhas de programação, com sentido de responsabilidade em relação às preocupações do presente, a Comissão [das comemorações] procurará dar resposta a todos, sem excepção, que se reivindicam dos valores emancipados da nação, com as suas múltiplas perspectivas de desenvolvimento social e cultural, e que pautam a sua consciência de cidadania pelos valores da justiça, da igualdade e da liberdade", disse a governante.

Relativamente ao primeiro eixo, cívico-cultural, "diz respeito à necessidade de atribuir um valor paritário às dimensões cívico-cultural, científica e educativa" colocando em "pé de igualdade os instrumentos de criação e comunicação audiovisual, teatros, museus, galerias, bibliotecas escolas e universidades". Para tal, Dalila Rodrigues reconheceu que será decisiva a colaboração de professores, investigadores e criadores artísticos e culturais. e conseguir mobilizar os agentes culturais.

Noutro eixo, "impõe-se envolver, organizar e apoiar, dando visibilidade, também através do recurso a instrumentos eletrónicos, a diversas iniciativas descentralizadas", disse a ministra, referindo a rede de bibliotecas escolares, "e valorizar iniciativas oriundas dos mais diversos quadrantes".

As comemorações estender-se-ão durante dois anos, até 10 de Junho de 2026, prolongando-se "no tempo, o estudo de Camões -- da sua vida, obra, contexto, e receção ao longo dos séculos -- o que poderá dar lugar a novas descobertas e interpretações históricas", disse a responsável pela pasta da Cultura, referindo que será dada "particular atenção à influência camoniana na literatura, na arte, na cultura em geral".

A ministra destacou três iniciativas sob a égide da Biblioteca Nacional de Portugal, nomeadamente "a disponibilização, segundo um plano classificativo e com instrumentos de busca de uma 'Camoneana Digital', a organização de uma grande exposição [e] um ciclo de conferências que culminará com um colóquio em maio de 2026 e a apresentação de uma série de estudos e publicações" às quais "somar-se-ão muitas outras iniciativas".

"O Ministério da Cultura, além de tutelar directamente este ciclo comemorativo, garante actividades em diversas instituições e serviços integrados, como a Museus e Monumentos {de Portugal], a Direcção-Geral das Artes, a Direcção-Geral do Livro dos Arquivos e das Bibliotecas e o Opart [Organismo de Produção Artística que gere o Teatro Nacional de S. Carlos, a Orquestra Sinfónica Portuguesa e a Companhia Nacional de Bailado]", disse a ministra garantindo que estes organismos "têm vindo a preparar um importante conjunto de iniciativas".

A dirigente governamental da Cultura não ignorou o trabalho desenvolvido pelas autarquias "a par de todos os apoios que possam vir a ser prestados a companhias de teatro e à produção de filmes e documentários".

Criticou o anterior Governo que, como declarou, deixou "uma pesada herança", designadamente "a ausência de programação e de orçamento" destinados ao quinto Centenário de Camões, tendo "sido revogada a anterior estrutura de missão e criada uma nova, mais ampla, alargada ao Ministério da Educação, e com diversos especialistas, [e] reputados camonianos".

O Ministério dos Negócios Estrangeiros terá a sua participação, através da sua rede diplomática e consular, do Instituto Camões, dos centros culturais, cátedras e leitorados.

A governante quer "captar os esforços de todas as associações ligadas às comunidades de língua portuguesa, bem como atender à riqueza das línguas de convívio no conhecimento e na valorização da obra de Luís de Camões".

Lusa/O Turismo.PT

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