AHRESP críticas as linhas de crédito, por serem "de difícil acesso"

AHRESP críticas as linhas de crédito, por serem "de difícil acesso"
O Turismo PT

A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) realizou um inquérito aos seus associados para saber qual o impacto da covid-19 no sector, e os resultados "não são animadores".

De todos os inquiridos, 75% estão de portas fechadas, mas 80% esperam não conseguir facturar em Abril e Maio. "A maioria das empresas não sabe o que lhe vai acontecer e já equaciona não voltar a abrir. Vai depender da evolução da pandemia e de como se vai apoiar a economia", sublinhou Ana Jacinto. Ao inquérito responderam 70% das empresas do sector do alojamento e as outras 30% da área da restauração. 

 

O inquérito revelou que das empresas que vão recorrer ao lay-off simplificado, "75% dos funcionários estarão sem qualquer prestação laboral, mas 18% com redução parcial e 7% refere ter os colaboradores nas duas situações".
Os efeitos da pandemia no sector começaram a "sentir-se já em Março, com 30% das empresas a não conseguir pagar salários". Já em Abril, serão "63% as empresas impedidas de pagar ordenados se não tiverem apoios". No entanto "até esta semana, 94% dos inquiridos ainda não tinham efectuado quaisquer despedimentos", explicou a Secretária Geral da AHRESP.


Dos seus associados, mais de metade dos contactados considera que os apoios disponibilizados pelo Governo para o sector "não são adequados às suas necessidades". No entanto "80% assume não ter recorrido até ao momento a nenhum apoio", um número que, segundo Ana Jacinto, "deve ser lido com cuidado, porque os apoios só ficaram disponíveis esta semana".


Ainda assim, a secretária-geral da AHRESP reforçou as críticas que a associação tem vindo a fazer às ajudas anunciadas, que considera "inadequadas". A dirigente sublinha que, mesmo recorrendo ao lay-off, as empresas terão "dificuldades em suportar" o pagamento de 30% do salário dos trabalhadores.

 

Quanto a despedimentos, 94% das empresas ainda não demitiu qualquer trabalhador, porém 80% estima uma ausência total de receita em Abril e Maio. Ana Jacinto salientou que "o impacto no emprego é tremendo, o impacto na facturação é tremendo e o cenário só vem confirmar aquilo que a AHRESP tem vindo a dizer", advertindo que "urge que sejam concretizadas medidas sérias de apoio directo à tesouraria das empresas para que possam sobreviver e manter os postos de trabalho".


A Associação não poupa críticas às linhas de crédito, por serem "de difícil acesso", uma vez que "a aprovação pode demorar até 40 dias úteis". Defende ainda que "não há alternativa à injecção de dinheiro a fundo perdido para apoiar a tesouraria das empresas". As ajudas apresentadas são "alívios temporários que vão ter custos enormíssimos e vão fazer com que as empresas morram da cura", considerou a dirigente.


A AHRESP apresentou em Março um plano de 40 propostas de apoio para o sector, "foram muito poucas as que foram postas em prática", mas garante continuar "em permanente articulação e diálogo com o governo para colocar todas as medidas em prática".

Ana Jacinto revelou que apresentaram uma proposta ao Ministério do Trabalho e da Segurança Social, em que "comparticipavam em 90% e os empresários pagariam os restantes 10%" aos trabalhadores.

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