As pessoas LGBT “não são iguais às pessoas normais”

Uma alta responsável da União Europeia (UE) criticou hoje declarações de responsáveis polacos contra os direitos do movimento LGBT na campanha para as presidenciais, ao considerar errado atingir minorias para obter ganhos políticos.

A vice-presidente da Comissão Europeia, Vera Jourova, responsável pela área dos valores e transparência, exprimiu-se dois dias após o Presidente polaco Andrzej Duda ter considerado o movimento para os direitos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero) mais perigoso que o comunismo.

Jourova perante o Parlamento Europeu disse que esta posição viola as garantias da UE sobre direitos iguais para todos, afirmando: “considero triste que na Europa moderna, políticos com altos cargos de responsabilidade decidiam atingir minorias para potenciais ganhos políticos”, acrescentando que esta posição viola as garantias da UE sobre direitos iguais para todos.

Os direitos LGBT tornaram-se num tema central da campanha para as eleições presidenciais de 28 de Junho.

Duda, o Presidente cessante apoiado pelo partido nacionalista conservador no poder, prometeu proteger as famílias polacas contra o que designou de “ideologia LGBT” que considera pretender entrar nas escolas e influenciar os jovens.

Duda continua a liderar as intenções de voto mas Rafal Trzaskowski, o seu principal opositor e edil de Varsóvia, que tem apoiado verbalmente os direitos LGBT, regista avanços nas sondagens.

Nenhum dos 10 candidatos deverá garantir os 50% de votos necessários para ser eleito à primeira volta, e prevê-se um confronto final entre Duda e Trzaskowski em 12 de Julho.

Duda considerou que o movimento pelos direitos LGBT promove uma perspectiva mais perigosa que o comunismo e manifestou o seu acordo com as posições de outro político conservador para quem “LGBT não são pessoas, é uma ideologia”.

Jourova, que nasceu na Checoslováquia socialista, disse estar “confusa” pela comparação dos direitos do movimento LGBT com a ideologia comunista.

Recordo que a ideologia comunista era algo que suprimia e perseguia tudo e todos os que fossem diferentes”, disse.

No domingo, Duda acusou diversos meios de comunicação estrangeiros, que divulgaram os seus comentários da véspera, de retirarem as suas palavras do contexto e sem qualquer explicação.

Acredito verdadeiramente na diversidade e na igualdade”, referiu no Twitter, citado pela agência noticiosa Associated Press (AP).

Diversos membros do partido Lei e Justiça (PiS, no poder), emitiram recentemente declarações semelhantes às proferidas por Duda.

Um deputado e membro da sua equipa eleitoral, Przemyslaw Czarnek, considerou no sábado que as pessoas LGBT “não são iguais às pessoas normais”.

Deixemo-nos de escutar idiotices sobre alguns direitos humanos e alguma igualdade”, vincou.

Diversos pais de polacos gays e lésbicas têm desde então a partilhar nas redes sociais imagens com os seus filhos com as palavras “És o meu filho, não uma ideologia”.

Cerca de dez mães e um pai de jovens gays e lésbicas concentraram-se esta tarde frente ao palácio presidencial em Varsóvia e apelaram a Duda para alterar a sua retórica, indicou a AP.

O que dizem sobre os nossos filhos magoa-nos e fere-nos terrivelmente”, indicou durante este protesto e citada pela AP Helena Biedron, mãe do assumidamente gay e candidato presidencial de esquerda, Robert Biedron

#EstamosON

Corona - Covid19

Subscreva a newsletter oturismo.pt
captcha 

Actualidade