Dama de Paus: Cabe-nos a nós dizer à sociedade "existimos, estamos aqui e que este é o nosso espaço"

Dama de Paus: Cabe-nos a nós dizer à sociedade "existimos, estamos aqui e que este é o nosso espaço"
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Dama de Paus foi quem venceu o concurso de novos talentos do transformismo, Bolsa de Ouro, uma produção de Roxy Vieira e Victoria Angell.

 

Passando por várias eliminatórias, desde Março, Dama de Paus foi reconhecida pelo júri do concurso e pelo público presente na Academia de Santo Amaro, local onde decorreu a Gala final.

O nome artístico de André, "vem da necessidade de criar uma personagem que fosse binário", ou seja, "que nunca fosse uma extensão de ser mulher". Sendo exactamente "um artista que é uma dama, algures com um pau escondido no meio", explicou.

O número que colocou o público de pé a aplaudir a sua interpretação, "tem a ver com a saída do armário da comunidade LGBT". O artista afirmou "nem sempre a sociedade nos recebe bem e há algum tipo de evidencia". No entanto "cabe-nos a nós, enquanto membros da comunidade, dizer que existimos, estamos aqui e que este é o nosso espaço".

Sem dúvida, das melhores actuações que vimos nos últimos anos. Difícil e com uma mensagem de extrema importância para muitos que ainda têm dúvidas como dar a volta à sua vontade e à sua libertação como ser humano. O mais difícil para André "foi interpretá-la", pois "é necessário uma entrega total". É necessário "ter um estado de espírito, um mainset que vai mexer com as inseguranças e emoções". O artista frisou que "todos nós além de artistas, somos pessoas, e é necessário mexer nessa caixinha de pandora", vincando ser "a parte mais complicada".

Aquilo que mais se orgulha de ser o vencedor do Bolsa de Ouro é "o tipo de performance, que consegue ser um pouquinho diferente do tradicional que se costuma fazer no mundo do transformismo". Mas salientou que não tira "valor ao que se faz nesse mundo, mas esta [a sua interpretação] é uma forma diferente de fazer as coisas". Pensa que a sua "missão nesta comunidade é precisamente uma nova maneira de fazer as coisas, uma abordagem diferente". Dada a sua formação académica "o meu ponto de partida vem das artes plásticas", salientando que é esse tipo "de performance que quero transmitir em palco".

André é formado em Desenho Gráfico e frequentou Escolas de Teatro, onde também actuou. A galeria Zé dos Bois também já recebeu espectáculos de dama de paus, assim como a "catedral" dos travesti, Finalmente Club, entre outras.

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