CP atrasa todos os comboios para passar o comboio especial partidário

A CP deu garantias escritas de que "aceita os atrasos" noutros comboios para que um comboio fretado pelo Partido Socialista vá do Pinhal Novo a Caminha para a rentrée socialista.

Mesmo sob todos os problemas que tem sido acusada pelos passageiros e sindicatos, a CP admitiu numa deliberação da Infraestruturas de Portugal, à qual o Observador teve acesso, que “aceita os atrasos resultantes a outros comboios” para que circulem comboios fretados para a Festa de Verão do Partido Socialista.

Assim, os comboios que vão levar vários "militantes socialistas" desde o sul do país até à festa da rentrée socialista, em Caminha, são prioritários e, se for necessário, podem atrasar o serviço regular da CP pelas zonas em que passa.

Que não são poucas, uma vez que o percurso é Santa Apolónia-Pinhal Novo-Caminha. Ida e volta.

A deliberação que dá prioridade aos comboios do PS é de 20 de Agosto e será válida a 25 e 26 de Agosto, dias em que circulam os comboios de ida até Caminha (e de regresso ao Pinhal Novo e a Santa Apolónia). O documento está assinado pelo director do Departamento de Programação e Horários da Infraestruturas de Portugal, Agostinho Pereira, e por Mário Sousa, que assina pela Gestora da Unidade de Horários.

No trajecto Lisboa-Pinhal Novo-Caminha, o comboio vai parar 20 vezes. No total, a viagem vai durar quase sete horas (6 horas e 55 minutos, mais rigorosamente) e vai fazer 526 quilómetros.

Estas são as contas feitas à ida, que duplicam quando se soma o regresso.

 

Questionada pelo Observador sobre este assunto, fonte oficial da empresa começou por dizer que “a CP realiza há décadas comboios especiais para vários clientes”. Segundo a mesma fonte, “sempre que se realiza um comboio especial, a CP, naturalmente, tem que solicitar o respectivo canal horário ao gestor da infraestrutura, uma vez que são comboios especiais e não regulares”.

A CP explica que a Infraestruturas de Portugal, “caso verifique a viabilidade de responder positivamente ao pedido do operador ferroviário, emite um documento designado ‘Carta Impressa’ [a que neste caso o Observador teve acesso] que contém os detalhes técnicos da marcha do comboio em causa”. E acrescenta: “Este é um procedimento regular no dia-a-dia das operações ferroviárias”.

Sobre o facto de dizer que “aceita os atrasos resultantes a outros comboios, pela realização dos comboios da presente Carta Impressa”, a própria empresa explica que esta “está presente em vários outros documentos “Carta Impressa”, de comboios especiais já realizados, que não significaram atrasos para outras circulações”.

A CP diz ainda que “a circulação é programada e, portanto, não afecta a realização de outros comboios”. Ou seja, a transportadora garante que não deixarão de circular comboios, mas na resposta ao Observador não se debruça sobre o facto de poder atrasar as circulações regulares.

Subscreva a newsletter oturismo.pt
captcha 

Publicidade

Actualidade