Para António Costa, novo Aeroporto e o TGV são temas “tabu”

Em entrevista ao espanhol ABC, o primeiro-ministro afirma que se perderam estas duas oportunidades, porque são temas "tabu".



O Governo de Sócrates tinha decidido avançar com estes dois grandes investimentos públicos, mas Passos Coelho travou-os em 2011 para aplicar o programa da troika

Nem TGV, nem novo aeroporto, lê-se na notícia do Jornal Público.

 O primeiro-ministro assume em entrevista ao diário espanhol ABC, este domingo, que a construção de uma linha para comboios de alta velocidade entre Lisboa e Madrid está adiada por “muito tempo”, porque é uma questão “tabu” em Portugal. O mesmo com o novo aeroporto.

A alta velocidade é um tema tabu na política portuguesa e vai sê-lo por muito tempo (...) Também perdemos a oportunidade de fazer um novo aeroporto


António Costa defende “um dia” terá de se olhar para aquele tipo de rede ferroviária, que está a crescer na maior parte da Península Ibérica e na qual Portugal “estará de fora”.

Porém, "infelizmente” houve um tempo em que o grande tema de diferenciação política entre esquerda e direita era o investimento público em infraestruturas, de que foram exemplo aqueles dois casos. Agora tem de se “pôr de lado do debate partidário todos esses temas”.

Recorde-se que o Governo socialista de José Sócrates tinha decidido avançar com a linha de alta velocidade e a construção do novo aeroporto de Lisboa, mas o Governo de Pedro Passos Coelho decidiu travar esses dois grandes investimentos públicos quando chegou ao poder em 2011 para aplicar o programa de auxílio negociado com a troika.


Em Novembro último, a ANA- Aeroportos entregou uma proposta ao Governo para o novo aeroporto do Montijo, mas esta entrevista ao primeiro-ministro baixa as expectativas.

Na mesma entrevista, e a propósito das próximas legislativas de 2019, António Costa assegurou que será candidato, “se gozar de boa saúde”.

Também admitiu que os partidos apoiantes do Governo no Parlamento, Bloco de Esquerda (BE) e Partido Comunista (PCP), o convenceram a tomar certas medidas fiscais, mais do que ele os convenceu.


Em todos os nossos programas [eleitorais] estavam essas medidas e os acordos [de apoio parlamentar] levaram-nos a aplicá-las antes do esperado. Não foi um grande esforço tê-los convencido. “Pelo contrário, convenceram-me mais eles a mim”.

O chefe do Governo evitou responder a uma pergunta sobre se seria possível o crescimento económico actual sem que se tivesse passado pelos “anos duros de austeridade” do anterior Governo do PSD “encarregado de activar as medidas impostas pela ‘troika’”.


Não vou abrir uma luta sobre o passado. O passado, passado está”. "O importante é que Portugal virou a página” e conseguiu alcançar o défice orçamental “mais baixo” da democracia e o crescimento “mais forte” desde o início do século, assim como começado a reduzir a dívida e o desemprego.

A entrevista foi realizada na passada terça-feira, quando o chefe do Governo esteve em Madrid para se encontrar com o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, e inaugurou uma exposição sobre o poeta Fernando Pessoa no museu Rainha Sofia.

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