A privacidade, é uma treta!

por: Hugo Teixeira Francisco
A privacidade, é uma treta!
Instituto Information Management

Já todos ouvimos que “os dados são o novo petróleo” e certamente que o leitor não será alheio a um tema repetido recentemente, o tema dos “metadados”.

Recentemente dei por mim a ouviro Ricardo Araújo Pereira, no programa anteriormente conhecido como “O Governo Sombra”, a tentar explicar aos telespetadores o que são meta dados e, porque razão os mesmo são relevantes para as investigações da Policia Judiciaria.

Pois bem, se também ainda não conseguiu perceber o que é “big data” e “metadados”, veio ao sítio certo e, irei da melhor forma, tentar explicar.

Estou certo de que está familiarizado com a expressão popular “procurar uma agulha num palheiro”! Muito bem, recorrendo a essa analogia plebeia, podemos imaginar que a “big data”, ou a “grande informação” é o palheiro, ou seja, toda informação que é veiculada por toda a Internet em todo o tempo que estamos a navegar, e os “metadados” são os dados pormenorizados da nossa navegação, nomeadamente a nossa localização, comportamento numa determinada loja, compras efetuadas, páginas visitadas, redes sociais utilizadas, interações realizadas, ou tudo aquilo que possa ser rastreado que diga respeito ao nosso comportamento. Esta é a grande diferença entre o “big data” e os “metadados”, sendo que é inegável que o acesso a esta informação pode tornar-se fundamental numa investigação criminal, como era o caso em discussão, mas geralmente é utilizada para determinar o nosso comportamento enquanto utilizadores da Internet, e claro, potenciais compradores de um produto.

Estará o leitor certamente a questionar-se neste momento, e bem, se todos nós enquanto utilizadores não estamos salvaguardados pela Lei Geral de Proteção de Dados? A famosa RGPD, que tanto mudou na nossa vida por imposição da legislação comunitária. O direito à privacidade foi considerado um direito fundamental dentro da União Europeia e foi para o proteger que, a 27 de abril de 2016, o Parlamento Europeu aprovou o Regime Geral de Proteção de Dados (RGPD).  

Mas será que no tempo das redes sociais e dos “data brokers”, conseguimos perceber até que ponto estamos protegidos? Na minha opinião a questão da privacidade é fundamental. em termos de análise, mas secundária no que toca à navegação na Internet propriamente dita. O que acontece é que sempre que vamos a uma loja e nos pedem para disponibilizar informações, que na verdade não é fundamental para aquela loja, nós estamos a abdicar de grande parte da nossa informação pessoal, informação essa extremamente valiosa, em detrimento de uma oferta. Se analisarmos bem, muitas das vezes essa oferta ou desconto nem é assim tão relevante, mas nós já nos habituamos e disponibilizar a nossa informação pessoal de uma forma quase gratuita. Também na nossa navegação online, diariamente, damos acesso a milhares de megabytes de informação, que numa interação presencial nunca seriam disponibilizados, mas que online nem nos apercebemos que o estamos a fazer.

Há uma grande máxima no mundo digital, que é que se não pagamos pelo serviço, nós somos o serviço! Neste caso particular, nós abdicamos de informação individual, diariamente, em troca de uma utilização de uma determinada ferramenta, como é o caso das redes sociais gratuitas ou de um sistema de navegação, que na verdade estamos a pagar com os nossos dados pessoais.

A verdade é que nós o fazemos diariamente, de uma forma mais consciente ou não, e só dessa forma é possível termo acesso a toda a informação disponível, na ponta dos nossos dados.

Podemos decidir estar fora da grelha e deixar de ter acesso a toda a esta informação, preservando a nossa privacidade, ou podemos continuar a usufruir de toda esta informação, em troca da informação que queremos partilhar. A decisão será sempre do utilizador, sendo que eu acredito que “a privacidade é uma treta” nesta era cada vez mais digital!

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