Como é que o turismo pode parar o aquecimento global?

Como é que o turismo pode parar o aquecimento global?
Hugo Teixeira Francisco

Ainda não sentiu os efeitos do aquecimento global? Bastava ter ido às várias celebrações de Ano Novo, no primeiro dia do ano, com o primeiro banho para sentir na pele os efeitos do aquecimento global.

Na maior parte do país as temperaturas estiveram entre os 18 e os 20ºC, quase a fazer lembrar uma Primavera antecipada e, além disso, estamos a ter o mês de Janeiro com menos chuva dos últimos anos. É particularmente preocupante se pensarmos nos efeitos a curto e médio prazo na agricultura, mas também no fornecimento de água e até na produção de energia com base em fontes renováveis, uma vez que em Portugal, de acordo com a Associação de Energias Renováveis (APREN) de Janeiro a Dezembro de 2021 foram gerados 46 749 GWh de electricidade em Portugal Continental, dos quais 65,4 % foram de origem renovável e 25,7% foram de fonte hídrica.

Estamos a falar de efeitos que já se fazem sentir e que potencialmente nos vão afectar cada vez mais. Estão já identificados diversos efeitos negativos, por exemplos nas zonas costeiras, que já sofrem com o aumento do nível do mar, graças ao degelo originado pelo aumento da temperatura média do planeta. Também as áreas secas do planeta vão sofrer cada vez mais com a seca, sendo que a falta de acessos a água potável, que já é escassa em algumas regiões, poderá ser motivo de conflitos. Com o aumento da seca, a ocorrência de incêndios poderá ser ainda mais frequente, ocasionando perda de biodiversidade e ameaçando a vida da população.

Diante deste quadro tão desafiante, não é difícil antecipar que provavelmente diversas espécies de fauna e flora entrarão também em extinção, além de potencialmente ir afectar directamente a produção de alimentos e levar a uma alteração profunda da nossa forma de vida.

Está neste momento o leitor a questionar como é que pode ajudar a inventer este fenómeno, e mais importante, qual o papel do turismo neste esforço conjunto? Bem, o turismo, como principal sector económico mundial tem uma responsabilidade acrescida no combate às alterações climáticas. Em 03 de novembro de 2021, foi assinada em Glasgow, Escócia, a  “Declaração de Glasgow” que tem como principal objectivo actuar como um catalisador para aumentar a urgência sobre a necessidade de acelerar a acção climática no turismo e garantir acções e compromissos fortes.

Os signatários da Declaração de Glasgow sobre Acção Climática no Turismo comprometeram-se a agir para reduzir as emissões globais do turismo em pelo menos metade, na próxima década, e atingir as emissões Net Zero o mais rápido possível antes de 2050. As suas acções ficaram alinhadas em cinco ações definidas; medir, descarbonizar, regenerar, colaborar e financiar.

Pretende-se liderar a transformação no turismo definindo uma mensagem e abordagem sectorial clara e consistente para a acção climática na próxima década, alinhada com a estrutura científica mais ampla e a urgência de agir agora.

Temos a opção de ser parte do problema ou parte da solução e, neste caso concreto, o turismo tem que fazer parte da solução.

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