O caminho que temos que fazer

Na passada semana realizou-se o 32º Congresso da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), este ano no Algarve e sobre o tema “O Turismo tem Futuro”.

No momento critico para a indústria a nível nacional e mundial, os agentes do turismo reuniram-se para discutir e pensar o Turismo como um todo e debater o futuro.

Quase uma semana depois da sua realização, há ainda vários ecos que circulam socialmente, um bom sinal é certo, indicador que a discussão da especialidade da indústria turística é relevante para o nosso país, mas também um indicador preocupante, na medida em que essa discussão se restringe e um ponto fundamental, a falta de recursos humanos no turismo, principalmente na hotelaria.

Este é de fato o maior dos problemas do turismo da atualidade. Podemos ter os mercados internacionais recuperados, as rotas aéreas todas funcionais e a situação pandémica controlada, mas sem mão de obra do que é isso nos vale?

Uma das notícias que fez as manchetes de quase todos os noticiários foi a possibilidade de optarmos por mão de obra estrangeira, com recurso a países como as Filipinas, sendo apontada como solução a “criação de fluxos de importação”, como referiu Raul Martins, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal. E isto, meus caros, acarreta um desafio adicional. Não só vamos estar na incerteza da possibilidade deste “fluxo de importação”, como vamos em grande medida depreciar a nossa oferta e os nosso serviços de hospitalidade. O que será da nossa famosa hospitalidade, quando grande parte dos serviços foram garantidos por mão de obra estrangeira, sem fluência na nossa língua e sem formação especifica? O que irá diferenciar um hotel de Lisboa, de um hotel do Dubai ou de Londres, se a estrutura de recursos humanos é basicamente a mesma?

Penso que aqui estamos a optar pela solução mais fácil, resolvendo um problema, mas criando outro, ainda maior. O turismo sempre foi, em grande medida, o sector das horas longas, dos horários repartidos e das folgas durante a semana. Sempre foi a indústria dos ordenados mais baixos, onde a retenção de talento por norma não era prioridade.

Mas afinal como é que vamos resolver este enorme problema de cativar pessoas e talento para o nosso setor? Podemos começar por rever salários, revendo valores e modelos variáveis, criando prémios e benefícios complementares. Temos que rever horários, flexibilizando turnos, permitindo um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Temos que fazer uma aposta clara em criar Carreiras, adequando as expectativas de cada um, reestruturando funções e criando planos individuais de desenvolvimento.

Temos que VALORIZAR os Profissionais! Só colocando as pessoas no centro da estratégia e implementando novos modelos de negócio "PeopleCentric" vamos conseguir quebras as amarras dos tempos passados e sermos de fato o melhor destino do mundo.

Este é o caminho que temos que fazer, a questão que se coloca é! Será que estamos disponíveis para o fazer? 

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