E agora para algo completamente diferente

E agora para algo completamente diferente
Hugo Teixeira Francisco

Para o leitor mais atento, este título pode parecer algo familiar.

Pois bem, o título é claramente uma colagem intencional ao filme dos Monty Python de 1971, de título original “And Now For Something Completely Different” e que tinha como principal objectivo apresentar o humor deste grupo inglês ao mercado americano, que ainda não conhecia a sua comédia.

Enquadramentos cinematográficos à parte, a escolha do título foi intencional, aliás sendo esta uma expressão que utilizo recorrentemente quando pretendo falar de algo que entendo ser disruptivo. Isto porque percepciono a indústria turística exactamente assim, como algo verdadeiramente disruptivo, principalmente em momentos de recuperação.

O turismo tem sido apelidado, como em vários momentos de crises anteriores, como a indústria de “salvação nacional”, com maior capacidade de resiliência e regeneração. A história vem reforçar este epíteto, como foi o caso nos pós 11 de Setembro, em 2001 e em 2007, após a crise financeira do subprime

No entanto e como disse José Mário Branco, “mudam-se os tempos mudam-se as vontades” e neste momento poderá mesmo ser a maior mudança de sempre! O turismo vai recuperar, como aliás já o está a fazer, mas a verdade é que o pós-pandemia trouxe consigo novas tendências que serão mesmo “algo completamente diferente”.   

Vemos na procura uma mudança súbita de comportamento, dando origem a várias novas tendências, tais como as staycation, situações onde as férias são passadas no país de origem, em vez de no exterior, ou passadas em casa e envolvendo passeios de um dia para as atracções locais. Surgem também os full-time travellers, ou nómadas digitais, que com a adopção do teletrabalho, abrem a possibilidade para que os profissionais articulem o seu fluxo de trabalho em “viagem”. Surgem conceitos completam disruptivos como o bleasure, que nada mais é do que a combinação dos termos “negócios” e “lazer” e que se aplica quando trabalhar se torna num estilo de vida sem horário de expediente pré-definido ou um local obrigatório para realizar o trabalho e a conciliação de negócios e prazer se torna crucial.

Os exemplos são mais que muitos e não se ficam por aqui! Há medida que o tempo avança, novas formas de viajar e este artigo estará certamente desactualizado a breve trecho. A procura dita as normas destas novas megatendências de consumo, que mais do que mera segmentação, são modelos de estilo de vida, que vão muito para além de uma vontade ocasional de viajar e que vão marcar a forma como as pessoas viajam de hoje para o futuro.

Temos agora que conseguir dar resposta a toda esta demanda, a estes novos clientes, a estes novos segmentos de mercado. Toda a cadeia de valor do turismo deve ser revista, deve ser capacidade e deve ser preparada para estes tempos sem paralelo. A digitalização veio dar uma ajuda fundamental para agilizar este processo, mas ainda há muito para caminhar, sendo certo que temos que estar preparados para algo completamente diferente.

RIU Hotels & Resorts

#EstamosON

Artigo de Opinião

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