Papá, posso ser o que eu quiser?

Papá, posso ser o que eu quiser?
Hugo Teixeira Francisco

A minha filha, de seis anos, foi este ano para a escola primária. Como pais, a nossa obrigação é criar as melhores condições para os nossos filhos singrarem na vida, para depois singrarem na sua carreira.

O título do artigo de hoje começou exactamente numa conversa com a minha filha, que se virou para mim e disse “Papá, posso ser o que eu quiser?”. Imbuído no melhor espírito de igualdade disse-lhe que sim, que primeiro teria que ser uma pessoa bem formada, para depois poder escolher o que queria fazer do seu futuro. Mas será que estou a ser demasiado optimista e a esquecer as condicionantes sociais ainda existentes na igualdade de género?

No passado dia 11 de Outubro celebrou-se o Dia Internacional da Rapariga, iniciativa das Nações Unidas, este ano sob o mote “Geração Digital: a nossa geração” que pretende colocar na discussão pública a importância da igualdade de género e do livre acesso às mesmas oportunidades. Este factor é ainda mais relevante quando falamos de sustentabilidade, palavra hoje em dia tão utilizada, e que muitas vezes se refere unicamente ao aspecto ambiental, descurando o factor económico e social. Para esse efeito as Nações criaram os 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS), para promover mudanças positivas no mundo do futuro, destacando-se a erradicação da pobreza, promoção da prosperidade e bem-estar geral, protecção do meio ambiente e mitigação das mudanças climáticas.

Em quinto lugar desta lista de Objectivos encontramos a promoção da Igualdade de Género, que como certamente é sabido, é ainda um trabalho em desenvolvimento, daí ser considerado um “objectivo”. Basta olhar para as estatísticas para perceberemos que em Portugal as mulheres ganham menos 14% que os homens e quadros superiores ganham menos 26,1%, de acordo com o estudo realizado pelo Gabinete de Estudos Sociais da CGTP-IN, baseada em dados do INE.
Este número tem particular interesse no sector do turismo, que de acordo com o Turismo de Portugal, sobretudo nas actividades ligadas ao Alojamento e à Restauração, estes subsectores empregaram em 2019 directamente 320 mil indivíduos, onde seis em cada dez trabalhadores do turismo, são mulheres. O turismo poderá assim ter um papel activo no contributo para a igualdade do género, podendo vir a ser uma ferramenta importante para o empoderamento das mulheres. Os indicadores mostram que 58% dos trabalhadores do turismo são do género feminino, mais nove pontos percentuais do que a média nacional no total da economia (49%).

Recentemente conclui-se que as raparigas estão mais confiantes para diversificar brincadeiras e interesses, mas são as mais limitadas pelos estereótipos de género. Reconhecendo esse desafio, o construtor de brinquedos dinamarquês Lego decidiu romper estereótipos de género e lançou, exactamente no passado dia 11 de Outubro, uma campanha para remover a erradicação desses mesmos estereótipos, nos seus brinquedos. Intitulada “Get the world ready for girls“, a Lego pretende esbater barreiras e preconceitos socais e incentivar as raparigas a serem “tudo o que quiserem ser”, reconhecendo a importância de brinca nos crescimento das crianças e a relevância de uma educação igualitária e nível de oportunidades.

Concluo este artigo como o comecei, com a resposta que dei à minha filha. “Podes ser tudo aquilo que quiseres”, uma vez que temos a obrigação, enquanto cidadãos, formadores, agentes e empresários, de dar e permitir a todas as pessoas, independentemente do seu género, crença, raça ou qualquer outro factor, oportunidades iguais para poderem ter sucesso.

RIU Hotels & Resorts

#EstamosON

Artigo de Opinião

Subscreva a newsletter oturismo.pt
captcha 

Actualidade