O que Faz Falta é Animar a Malta

O que Faz Falta é Animar a Malta
Hugo Teixeira Francisco

José Afonso escreveu e cantou, em 1974, no álbum “Coro dos Tribunais” a letra da música intitulada “O que faz falta”, onde na quarta estrofe refere que “o que faz falta é animar a malta”, na altura numa clara alusão a um grito de revolta contra a ditadura vigente em Portugal. 

 Nos tempos que correm e na era digital, seria hoje apelidado de Call to Action (CTA) onde alguém, um autor, cantor ou Influenciador (Influencer) exorta a sua audiência a uma acção ou tomada de posição. Não me considero um Influencer, longe disso, nem tão pouco gosto do epíteto, discussão essa que vou reservar para um futuro artigo, mas hoje aproveito esta linhas para um claro apelo à acção. 

Na passada semana tive oportunidade de leccionar uma formação em Évora, promovida pela Associação 100% ADN e direccionada para jovens daquele concelho. O tema da conferência foi “Criação de redes de Oferta Turística” e o seu objectivo era promover awareness na criação e estruturação de produtos turísticos. Logo no início da formação e de uma forma bastante interessada, foram surgindo dúvidas e questões em relação à criação de redes colaborativas, abordagens territoriais e estratégias de implementação, financiamentos públicos e medidas de apoio e parcerias público-privadas. Claro que mais cedo ou mais tarde iria surgir a questão que eu tanto aguardava, fundamental para o sucesso de quaisquer produtos turísticos e por vezes negligenciada na formação em turismo. A questão do “milhão de dólares”, como se diz na gíria das conferências de hoje, que é tão simples como: “O que é que é mais importante quando se estrutura um produto turístico?”. 

A resposta, na minha opinião, é muito simples. Animação Turística! Sim, isso mesmo, animação Turística. Vejamos então, no triângulo da estruturação da oferta turística, temos três intervenientes base, o alojamento, a restauração e a animação turística. A animação turística é o que cria atractividade no território, é a “motivação”, é o que chama os turistas para os destinos, é o que aumenta a estadia média e é o factor mais diferenciador. A animação turística é a “experiência” agora tantas vezes vendida, promovida e exortada! 

Os turistas, ou visitantes, como agora já se denominam, não se querem limitar a visitar o destino, querem sentir, experienciar, viver e partilhar estas experiências. É o que alimenta o imaginário, que cria experiências inesquecíveis e alimenta os feeds das suas redes sociais. É o “instagramável”, palavra que já consta nos dicionários e que faz de todos os locais de Portugal possam ser únicos, diferentes e autênticos.

Sempre que me questionam sobre o “segredo da operação turística”, há muito que respondo “arranjem o que turista fazer, para depois descobrir onde comer e só depois onde dormir”, porque o que faz mesmo “falta é animar a malta”.  

Hugo Teixeira Francisco
Cofundador e Director de Marketing da Portugal Green Travel

RIU Hotels & Resorts

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