Fim da Silly Season

Fim da Silly Season
Hugo Teixeira Francisco

Estamos a entrar em Setembro, o que significa que o fim das férias escolares antecipam também o encerramento da Silly Season de 2021.

Estou certo de que sendo um leitor informado conhece esta expressão a até reconhece o engraçado da mesma, sendo que simboliza um momento de “férias” das discussões sérias do dia a dia, para dar lugar a reflexões mais “ligeiras” de período estival.

Este ano até poderia ter sido diferente, não fosse a estação ser assolada pela temática da Covid, que já o ano passado limitou a dita “silly season” para a discussão de temas mais sérios e de interesse para todos. Este ano havia um interesse acrescido, que seria o hipotético regresso em força do turismo, com imensas previsões, algumas bastante conservadoras, outras bastante optimistas, da recuperação de um dos sectores mais importantes de actividade em Portugal, que em 2019 representou 15.3% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com o Conta Satélite do Turismo.

Posso dizer que eu sempre fui dos mais optimistas, acreditando num retorno em força dos turistas ao nosso país, começando claro pelo natural mercado nacional, passando em segundo lugar pelo principal mercado de proximidade, o mercado espanhol e depois retomando os fluxos dos principais mercados emissores para o nosso país, primeiro Europa e depois o resto do mundo. Aparentemente fiz bem em estar positivo, uma vez que há um grande número de regiões que estão a apresentar valores recordes e que esperam, tudo se mantendo como está, um excelente final de 2021.

Vamos então olhar para os números! De acordo com a Conta Satélite do Turismo, do Instituto Nacional de Estatística (INE), no ano de 2020, o Valor Acrescentado Bruto (VAB) gerado pelo turismo representou 4,6% do VAB nacional, contra os 8,4% de 2019, tendo o PIB sido equivalente a 8,0%, caindo quase para metade de 2019. Este cenário está perfeitamente justificado pela pandemia, e como o ano de 2019 foi de absolutos recordes, também o ano de 2020 ficará na história como o mais negro para várias indústrias, sendo o turismo claro, uma das mais afectadas.

Neste momento, e corrido meio ano de 2021, penso que já todos percebemos que o mercado mostra fortes indicadores de retoma, sempre liderado pelo público nacional. O mercado doméstico demonstrou assim uma enorme resiliência e vontade de viajar, muito apoiado pelas medidas de apoios às empresas e trabalhadores, quer permitiram o decréscimo de apenas 1% na Paridade de Poder de Compra (PPC) da União Europeia, de 86% em 2019, para 85% em 2020. De salientar que já em 2020 os destinos turísticos nacionais menos afectados pela pandemia tinham sido o Norte, Centro e Alentejo, apresentando quebras nas dormidas de 50% para o Centro e 39% para o Alentejo, enquanto regiões como os Açores, Madeira e Lisboa registaram quebras na ordem dos 70%. Segundo o INE, o Centro, Alentejo e Norte foram as únicas regiões do país que viram o seu peso aumentar no total de dormidas a nível nacional, muito devido aos seus mercados tradicionais, o mercado nacional e o espanhol.

Estamos a entrar em Setembro, com um “regresso à normalidade”, com 85% da população vacinada com pelo menos uma dose da vacina contra a Covid-19, de acordo com a Direcção Geral da Saúde (DGS) e com um abrandamento nos critérios de isolamento, como a obrigatoriedade de utilizar mascara no exterior, já partir de segunda-feira.

A “Silly Season” está a chegar ao fim e com ela também uma serie de restrições e limitações, que muito em breve, esperamos, nos possam parecer tão “disparatadas” como a estação em si.

RIU Hotels & Resorts

#EstamosON

Artigo de Opinião

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