Turismo, até ao infinito e mais além!

Turismo, até ao infinito e mais além!
Hugo Teixeira Francisco

Penso que ninguém tem dúvidas que o turismo é uma das indústrias mais resilientes, mais inventivas e mais relevantes à face da terra.

Basta olhar para os números, mesmo em tempos de pandemia, onde esta indústria é das mais fustigadas, para perceber que a vontade de viajar, de explorar e de passar “tempos de lazer” há muito que veio para ficar, sendo universalmente considerada como fundamental para o bem-estar da população. Um dos indicadores mais relevantes desta retoma é o “travel sentiment”, o barómetro do “sentimento de viagem”, por parte da procura, da Organização Mundial de Turismo (OMT), que se encontra em franca recuperação, sendo que em Março de 2020 se encontrava nos -16% e actualmente está nos 41%.


Já percebemos que o turismo tem uma capacidade quase infinita de se reinventar, podendo transformar a mais banal das localizações num destino turístico de excelência, seja através de campanhas de marketing, seja através de posicionamento nas redes sociais, seja por meio de estratégias bem implementadas por entidades públicas ou privadas. A estruturação da oferta turística está em alta, suplantada só pela procura cada vez mais informada e interessada em produtos turísticos diferentes, genuínos e por vezes simplesmente invulgares. O "Dark Tourism" é já uma tendência e um excelente exemplo disso, sendo descrito como turismo que envolve viagens a lugares associados à morte e ao sofrimento. Muito potenciado por séries televisivas como "Chernobyl", "Narcos" e o documentário da Netflix "The Dark Tourist", estes catapultaram para os escaparates as experiências e destinos turísticos mais sombrios, normalizando o que seria até agora uma experiência turística underground e pouco “instagramável”. Portugal não é imune a esta tendência, sendo que o ISCET, no Porto, promoveu recentemente o curso "Do turismo negro ao turismo cemiterial", tratando-se de uma formação inédita em Portugal e incluindo até uma parte prática no Cemitério da Lapa.


No entanto e por muito que pensemos que o turismo já viu tudo, ainda não tínhamos chegado ao momento de transformar esta indústria em algo planetário. Esse momento chegou finalmente, no passado dia 11 de julho, pela mão do bilionário Richard Branson e da sua Virgin Galactics, onde juntamente com mais cinco tripulantes foi ao espaço e voltou com sucesso à Terra. Mesmo que Branson tenha saído à frente de Jeff Bezos e Elon Musk, outros bilionários que tem investido em viagens comerciais ao espaço, hoje, dia 20 de Julho, foi o momento de Jeff Bezos, fundador da Amazon, ter ido ao espaço a bordo da nave New Sheppard da Blue Origin.


Após o voo bem-sucedido, que transportou os ocupantes a uma altitude de 107 km e com a duração de 11 minutos, e após muitos anos de preparação e investimento em engenharia e tecnologia, a Blue Origin fez a sua primeira viagem ao espaço com pessoas a bordo, sob o olhar atento do seu fundador Jeff Bezos, atualmente o homem mais rico do mundo e um dos primeiros passageiros.


Já há alguns meses outro bilionário, Elon Musk, fundador da Tesla, lançou o seu primeiro foguetão da SpaceX, tendo esse voo sido bem-sucedido e estando iminente um voo também tripulado, para rivalizar com os anteriormente referidos neste artigo.


Temos neste momento e em tempos record, três grandes players na indústria do turismo espacial, a Virgin Galatic, a Blue Origin e a Spacex, que concorrem entre si num segmento que até há muito pouco tempo não existia. Em Portugal, pelo menos que seja público, temos já um futuro turista espacial, o empresário Mário Ferreira, fundador da Douro Azul, que garantiu em 2005 bilhete para ir ao espaço com a Virgin Galatic a um custo de 200 mil dólares, e tendo recentemente afirmado que está pronto para os exigentes testes físicos de preparação para a viagem.


Penso que será razoável afirmar que a “última fronteira”, como o espaço foi muitas vezes referido primeiramente no livro de Giancarlo Genta e que ficou para sempre eternizado na célebre citação de "Star Trek" de 1966, acabou de ser ultrapassada. Vivemos momentos sem paralelo, onde por um lado assistimos a restrições de circulação sem precedentes, devido à Pandemia da Covid-19 e, por outro lado, colocamos voos não tripulados em Marte e turistas no espaço.


Fazendo referência a outra citação cinematográfica, que deu o título a esta crónica, o turismo é, sem dúvida, a indústria que está preparada para ir “até ao infinito e mais além”.

Hugo Teixeira Francisco

Cofundador e Director de Marketing da Portugal Green Travel

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