Cinemateca recebe os 100 anos de OS FIDALGOS DA CASA MOURISCA

 Centenário de OS FIDALGOS DA CASA MOURISCA celebrado com filme-concerto na Cinemateca


A Cinemateca – Museu do Cinema é o organismo responsável pela divulgação e salvaguarda do património cinematográfico. Foi fundada por Manuel Félix Ribeiro no início dos anos 50, um dos pioneiros das cinematecas europeias. É ainda membro da Federação Internacional dos Arquivos de Filmes que conjuga os esforços dos mais importantes arquivos cinematográficos do mundo, contando com 172 afiliados de 75 países de todo o mundo.

A cinemateca tem vindo a desenvolver um trabalho em torno da digitalização de várias obras da história do cinema português, disponibilizadas em alta definição para projecção em sala, disponível também em edições DVD ou através da Cinemateca Digital, uma plataforma de streaming, disponível no site, onde se podem encontrar mais de 200 horas de imagens.

Numa parceria estabelecida em 2019 entre a Orquestra Metropolitana de Lisboa e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, à qual se juntou agora também o Coliseu do Porto e Ágora, os parceiros têm vindo a trabalhar em prol de um objectivo que passa pela reconstituição, interpretação ao vivo e gravação das três partituras originais compostas por Armando Leça para filmes da Invicta Film, produtora portuguesa de cinema, que se destacou nos anos 20, tendo sido sediada no Porto. Em prol desse objetivo já foi apresentada em 2019, a peça A ROSA DO ADRO (Georges Pallu, 1919), peça que já se encontra editada em DVD pela Cinemateca. Para o mês de Outubro, dia 16 será então a apresentação da peça OS FIDALGOS DA CASA MOURISCA (Georges Pallu, 1920) e AMOR DE PERDIÇÃO (Georges Pallu, 1921) que será apresentada no próximo mês de Novembro, com a especial participação de Nicholas Mcnair, artista, compositor, pianista e professor residente em Portugal desde 1980.

Depois da conclusão do estúdio da Quinta da Prelada, no Porto, a Invicta Film passou a possuir assim com um conjunto de instrumentos e meios de produção únicos na Península Ibérica, com técnicos de já comprovada competência, só mesmo comparável ao que na altura havia de melhor noutros países da Europa, alguns deles de renome no campo cinematográfico.

Na Invicta Film e na mente dos seus dirigentes o arranque da atividade no novo complexo teria de ser feito com um filme tirado de uma obra de autor português, lema que levaram avante rigorosamente. Em 1919 no planeamento do plano de trabalho para esse ano, fora escolhida a obra de Júlio Dinis, escritor nascido no norte, no Alto Minho, região que tinha sido o cenário da peça apresentada anteriormente nesse ano, A ROSA DO ADRO, um filme mudo português realizado também por Georges Pallu, baseado no romance de Manuel Maria Rodrigues, e que por haver essa relação com a região OS FIDALGOS DA CASA MOURISCA foi o móbil dessa escolha. Ciente das responsabilidades que tinham, a Invicta Film procurou ter os maiores cuidados em todos os aspectos de produção, desde a realização, à interpretação, a indumentária aspecto este muito importante, visto que o filme procurava reconstituir uma época específica, não havia espaço para erros dado todas as ferramentas com que foram dotados.

No seu primeiro trabalho em Portugal, Armando Leça (1891-1977), compositor e competente folclorista, escreveu, propositadamente para o filme o comentário musical, com música original e interpretação de música regional, dirigido por Georges Pallu, tendo com operador Maurice Laumann.

O filme teve maioritariamente cenários exteriores no Alto Minho, mas foram também gravadas algumas cenas na Tapada da Ajuda, em Lisboa. A Casa da Mourisca que o romance retrata, trata-se na realidade de uma casa senhorial que se ergue à entrada da aldeia de Lanhelas em Caminha, a Torre de Lanhelas.

Como resultado dos meios à disposição do realizador (Georges Pallu) e de todo o rigor imposto na encenação e o excelente elenco, deram a OS FIDALGOS DA CASA MOURISCA, louros sensacionais, e merecidos, na cinematografia portuguesa, ficando assim o mais importante e espectacular filme, dos quantos que saíram dos estúdios da Quinta da Prelada.

Georges Pallu (1869-1948), ao contrário dos outros dois realizadores franceses que trabalharam em Portugal no período do cinema mudo (Roger Lion e Maurice Mariaud), não tinha um currículo que se considerasse notável quando contratado pela Invicta Film, em 1918. Formado em Direito, algumas fontes dizem que graças ao seu cunhado, membro da direção, terá integrado a produtora francesa Film d’Art em 1909, numa função administrativa, antes de começar a sua carreira como realizador. Entre 1912 e 1918, ano de chegada a Portugal, realizou seis filmes. Mas foi em território português que Pallu progrediu, desenvolvendo e acumulando experiência profissional, prova disso, foi a sua contínua assinatura em várias longas-metragens de ficção.

Assinalando o centenário da estreia do OS FIDALGOS DA CASA MOURISCA a partitura original composta por Armando Leça será interpretada ao vivo pelos Solistas da Metroplitana, na Cinemateca, tendo início às 17h00 do próximo dia 16 de Outubro. Nesse mesmo dia, às 16h00 será lançado o DVD do filme A ROSA DO ADRO, na Livraria Linha de Sombra localizada na Rua Barata Salgueiro, em Lisboa. Este será assim o primeiro volume da colecção DVD de filmes da Invicta Film com a edição a cargo da Cinemateca. O DVD inclui mais dois filmes da Invicta, FREI BONIFÁCIO E BARBANEGRA, ambos com música original composta e interpretada por Filipe Raposo, assim como a gravação da partitura original de Armando Leça interpretada pelos Solistas da Metropolitana.

 

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