Morreu Olga Prats, a pianista que fazia do piano um poema sinfónico

Morreu Olga Prats, a pianista que fazia do piano um poema sinfónico
Divulgação

Morreu esta sexta feira aos 82 anos na sua residência, vítima de doença oncológica, Olga Prats uma referência da musica clássica.

Maria Olga Douwens Prats nasceu em Lisboa a 04 de Novembro de 1938, tendo feito o Curso Superior de Piano no Conservatório Nacional e continuado o seu percurso de formação musical  na Alemanha e na Suíça.

Começou a tocar piano aos seis anos e o seu primeiro concerto aconteceu  no teatro São Luiz, aos 14 anos,  exactamente a 05 de Maio de 1952.


De salientar que Olga Prats foi a primeira pianista a tocar e a gravar o argentino Astor Piazzola em Portugal e a divulgar o fado ao piano de compositores como Alexandre Rey Colaço ou Eduardo Burnay.
A Marquesa de Cadaval, foi "a patrona mais importante para a Olga Prats", segundo o que  o seu biógrafo e amigo, o compositor Sérgio Azevedo, disse à Lusa "que o nome da pianista foi uma homenagem à aristocrata", que durante anos patrocinou os Festivais de Sintra.

Na Alemanha, onde foi bolseira do Governo alemão em parceria com a Fundação Gulbenkian, Olga Prats tocou com várias orquestras e recebeu elogios da crítica musical, tendo, em 1958, sido distinguida com o prémio para melhor estudante estrangeira.

Em 1960, regressou a Portugal, tendo continuado a estudar com a pianista Helena Sá e Costa (1913-2006).

Olga Prats tocou com diversas orquestras,  a da ex-Emissora Nacional, a da Gulbenkian, e a do Porto, mas também a Orquestra de Câmara do Festival de Pommersfelden ou a Sinfónica de Buenos Aires.
Olga Prats ao longo da sua carreira, privilegiou a música de câmara, com destaque para a produção contemporânea., gosto seguido por outros pianistas como Gabriela Canavilhas, ex-ministra da Cultura.

Além de Lopes-Graça, foi também colaboradora próxima de outros compositores, como Constança Capdeville e Victorino d'Almeida, os quais lhe dedicaram várias peças.
Olga Prats foi uma das fundadoras do Opus Ensemble, em 1980, e do ensemble de teatro musical Grupo ColecViva, em 1975.

Em 2008, o Estado português reconhece a excepcionalidade da sua carreira bem como o seu contributo para a Cultura portuguesa, tendo-a feito Comendadora da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

Em 2020, celebrando 68 anos de carreira, Olga Prats juntou-se, num concerto, em janeiro, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, a Artur Pizarro, seu amigo, Jorge Moyano, e ao britânico Nick van Bloss, com a Orquestra Sinfónica Portuguesa para interpretarem os concertos para dois, três e quatro pianos, de Bach, projecto que o CCB apresentou como "uma autêntica festa pianística".

“Apresento as minhas condolências à família da pianista Olga Prats, que tive a honra e o prazer de conhecer pessoalmente”, lê-se na nota publicada no site da internet da Presidência da República.


A Ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamenta profundamente a morte da pianista e pedagoga Olga Prats (1938-2021), figura de relevo na arte de bem ensinar e na interpretação de inúmeros repertórios e estilos musicais, destacando-se a música de câmara e a produção contemporânea.


Grande pianista, Olga Prats fez da música lugar de encontro com os outros. Como instrumentista, privilegiou a prática em conjunto. Como professora, formou e inspirou novas gerações. Um sentido abraço à sua família e amigos
., é a mensagem do primeiro ministro  António Costa



Ricardo Lacerda musico salienta :Olga Prats trazia magia ao piano. Transformava peças musicais em poemas. Trazia às salas algo único e deixa um vazio no seu público que só as saudades podem preencher.

                  

 

RIU Hotels & Resorts

#EstamosON

Artigo de Opinião

Subscreva a newsletter oturismo.pt
captcha 

Actualidade