Queima do Judas de Vila do Conde mantém a tradição, mesmo em confinamento

Queima do Judas de Vila do Conde mantém a tradição, mesmo em confinamento
Margarida Ribeiro

A tradicional Queima de Judas, espectáculo performativo de rua em Vila do Conde, ganha, este ano, novos palcos: as casas de todas as famílias que quiserem participar neste ritual comunitário de celebração.

O contexto de confinamento trouxe a oportunidade de criar novos formatos, que incluem uma radio-novela e uma forte envolvência comunitária, em que todos são convidados a intervir na criação e na performance artística.

A programação, que se estende até 03 de Abril, tem como tema a liberdade na criação, procurando reflectir sobre as fronteiras da arte. A edição presta homenagem ao poeta vilacondense Armando Ramalho (1959-2017), figura acarinhada da cidade, que deixou escritos espalhados por mesas de cafés, cadernos, guardanapos e que a organização irá homenagear, com textos de vários poetas e artistas, na fanzine “Sentença”. Esta é a segunda publicação desta “revista”, que teve estreia, na Queima do Judas em 2012.

E nesta representação da arte enquanto manifestação empírica, esta 16ª edição terá uma forte componente comunitária, que se iniciou no ano passado ganha agora novos contornos, a começar pelo “Kit Judas Família”, uma iniciativa de celebração colectiva. A ideia é convidar as famílias a criar flores-cata-vento e as colocar na varanda, nas semanas que antecedem o evento, como símbolo de renovação e de um novo ciclo, que a cerimónia da Queima do Judas representa.

As famílias são também convocadas a fazer parte da criação do espectáculo, que acontece a 03 de Abril, criando o seu próprio “Judas no Quintal” e cumprindo o ritual na sua varanda, terraço ou quintal, que poderão partilhar através de fotografias e vídeos nas redes sociais.

No mesmo dia, será apresentada uma recriação de uma radio-novela, uma das grandes novidades desta edição, que irá envolver colectividades do concelho, actores e músicos, numa narrativa teatral sonora, em tom de sátira humorística, característica do evento.

À meia-noite, como é tradição, será emitida a Queima e Leitura do Testemunho de Judas, nas mesmas redes sociais do evento (Youtube, Facebook Instagram).

Também numa lógica colaborativa e comunitária, o testamento é resultado de contributos anónimos da população, através de textos e depoimentos, que servem de inspiração para o texto final do Testamento de Judas.

Pelas ruas, palco habitual do espectáculo e de forma a assinalar esta edição em formato adaptado, será instalada uma escultura do “Boneco do Judas”, em cinco locais da cidade, ainda por revelar.  

O Director Artístico da Queima de Judas de Vila do Conde, explica que “o ano passado transitamos o espectáculo para as plataformas digitais, em formato live streaming e desafiamos a comunidade a criar os seus próprios bonecos e ritual." Mas este ano, segundo Pedro Correia, este ano,"queremos que haja ainda um maior envolvimento comunitário, promovendo a tradição da Queima do Judas de Vila do Conde e a própria identidade cultural da cidade”.

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