Hoteleiros afirmam: "Tivemos oito meses maus, e temos mais oito meses péssimos"

Hoteleiros afirmam: "Tivemos oito meses maus, e temos mais oito meses péssimos"
O Turismo PT

A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) pede ao Governo apoios "urgentes" à tesouraria das empresas, e adiamento de pagamentos à Segurança Social.

Os apoios ao Governo, assim como o adiamento do pagamento à Segurança Social, que a AHP solicita, é apenas para que os hotéis possam continuar a pagar salários, e outros custos fixos que têm de suportar, mesmo estando de portas fechadas.

"Já há hotéis a entrar em incumprimento, com salários em atraso, e não sei quem é que na hotelaria vai conseguir pagar o 13.º mês", afirmou o presidente da AHP ao Expresso. "Tivemos oito meses maus, e temos pela frente mais oito meses péssimos. Mesmo chegando uma vacina, o que se fala é que só estará disponível à população em meados do ano que vem. Até lá, a falência das empresas é inevitável."

Hotéis fechados é um cenário que tende a agravar-se de dia para dia, prevendo-se que muitos não voltem a abrir até à Primavera de 2021. "Até ao final de Novembro, vão estar fechados mais de 70% dos hotéis em Lisboa, agora no Porto fecharam de repente 20 hotéis", fez notar Raul Martins, lembrando que são os hotéis grandes, com quatro e cinco estrelas, "os primeiros a fechar".

Os arrendamentos a que os hotéis estão sujeitos, e os apoios aos senhorios quando o seu pagamento não consegue ser cumprido, são outra preocupação da AHP - e conforme o dirigente, se os hotéis estão fechados, a perspectiva de começar a pagar esta factura em Janeiro de 2021 não é solução, uma vez que nesta altura "a hotelaria não está em situação de pagar nada", explicou ao Expresso. De acordo com um recente inquérito aos associados, mais de metade dos hotéis esperam ter 0% de ocupação em Dezembro e Janeiro.

Nesta altura difícil, os hotéis solicitam ainda a isenção do pagamento do Imposto Municipal Sobre Imóveis (IMI) referente a 2020, decisão que cabe às câmaras municipais. "Sabemos que há várias autarquias a considerar o não pagamento do IMI relativo a 2020, mas ficámos muito perplexos por a Câmara de Lisboa não ter nada a dizer sobre isto", adiantou Raul Martins.
"Para nós, só há retoma quando houver em Portugal 50% dos turistas que havia em 2019, só aí conseguimos ter uma exploração equilibrada", sublinhou o responsável. Embora com previsões que o turismo português possa recuperar logo após o abrandamento da pandemia, "podemos chegar a uma altura em que há turistas no país e não temos hotéis para os receber, se não tivermos apoios o que vai acontecer é hotéis a falir", conclui o presidente da AHP.

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