AHP será mais complicado será manter preços no Verão

por: António Manuel Teixeira

Em entrevista ao PressTur, o CEO do grupo Pestana revelou as perspectivas para 2023, salientando que "não há muita margem para baixar os preços".

José Theotónio disse: "Se houver uma guerra de preços e se houver uma descida dos preços, as rentabilidades vêm por aí abaixo, porque os custos não vão descer” durante o 33º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo em Fátima.

PressTUR: Os preços na hotelaria dispararam este ano. Será possível, tendo em conta a perda de poder de compra dos consumidores, manter o nível de preços no próximo ano?

José Theotónio: Há diferentes mercados e há diferentes épocas. Espera-se um crescimento do mercado americano, que este ano só apareceu a partir de meados do segundo semestre. O mercado americano vem mais para hotéis de 5-estrelas e procura suites, portanto consegue fazer subir o preço médio. No Reino Unido, se a libra continuar a desvalorizar, fica mais complicado. Também tivemos um primeiro trimestre praticamente parados e com preços muito baixos. Aqui há uma janela. O que será mais complicado será tentar manter os preços no Verão, porque este ano houve uma procura muito grande, algumas unidades até tinham limitações em termos de oferta. Vamos ver, hoje é tudo muito incerto. É quase gerido semana a semana, já não é mês a mês, nem época a época. Nós antigamente negociávamos os preços com os tour operadores 12 a 18 meses antes. Agora os preços mudam de dia para dia e em função da procura.

PressTUR: Mas seria uma perspectiva positiva conseguir manter os preços praticados este Verão…

José Theotónio: Não há muita margem de manobra para baixar preços, porque os custos subiram bastante. Os custos já subiram no segundo semestre, principalmente a partir de Setembro, e vão continuar a subir. O preço da mão-de-obra já subiu e vai continuar a crescer por causa do cenário macroeconómico. Depois, não se vislumbra quando é que os custos com a energia poderão regularizar. Devem continuar a subir ou pelo menos a manter os preços altos. E na cadeia alimentar continua a subir. Aliás, a inflação na cadeia alimentar é mais alta do que a inflação a nível global. Portanto, os principais custos da hotelaria estão a crescer. Este ano, a subida de preço que houve conseguiu que o aumento de custos fosse incorporado. Os resultados não se vão ressentir tanto…

PressTUR: …então mantém-se a rentabilidade?

José Theotónio: Sim, mantêm-se as taxas de rentabilidade. Mas para o ano, se houver uma guerra de preços e se houver uma descida de preços as rentabilidades vêm por aí abaixo, porque os custos não vão descer.

PressTUR: Quais são as suas perspectivas gerais para 2023?

José Theotónio: Como disse no painel, a única certeza é a incerteza. O que temos visto é que os cenários variam muito de dia para dia e de mercado para mercado. Se for hoje, a perspectiva que vislumbramos para o primeiro trimestre, que para alguns destinos conta muito pouco, não é má, é positiva. E ainda por cima como este primeiro trimestre esteve fechado, será melhor. Para o destino que funciona melhor, que é a Madeira, as perspectivas são boas. Mas isto tudo é com incerteza.

RIU Hotels & Resorts

Artigo de Opinião

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