O mundo tem de se preparar para uma "eventual pandemia" do coronavírus

O líder da Organização Mundial de Saúde avisou hoje (24 de Fevereiro) que o mundo tem de se preparar para uma "eventual pandemia" do coronavírus, considerando "muito preocupante" o "aumento repentino" de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse em Genebra, que "devemos concentrar-nos na contenção [da epidemia], enquanto fazemos todo o possível para nos prepararmos para uma possível pandemia"

Especialistas da missão conjunta da OMS em várias províncias chinesas, incluindo Wuhan, o epicentro da epidemia, descobriram que a epidemia de Covid-19 atingiu na China "um pico seguido de 23 de Janeiro a 02 de fevereiro passado, e está em declínio desde então ", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus.

"Isso deve dar aos países esperanças de que esse vírus possa ser contido", afirmou, mais uma vez saudando as medidas drásticas tomadas pela China, onde dezenas de milhões de pessoas vivem confinadas há semanas.

Noutras partes do mundo, a epidemia de pneumonia viral acelerou hoje (24 de Fevereiro), com relatos de subidas acentuadas na Coreia do Sul e no Irão, que agora registam o maior número de casos de contaminação e mortes fora da China.

Segundo Ghebreyesus, "o aumento repentino no número de casos em Itália, no Irão e na Coreia do Sul é muito preocupante", acrescentando que deverá viajar na terça-feira para Teerão, acompanhado de especialistas.

Na Europa, a Itália, que actualmente contabiliza seis mortos, tornou-se o primeiro país do continente a instalar um cordão de controlo médico-sanitário em torno de dez cidades do norte.

A Itália, que passou de seis para 219 casos em quatro dias, é o país mais afectado na Europa e o terceiro no mundo, depois da Coreia do Sul e da China.

A OMS decidiu enviar missões científicas para a Itália e o Irão, com a intenção de ajudar as autoridades nacionais a implementarem as medidas de contenção necessárias.

A primeira equipa "está a chegar a Itália", enquanto a segunda viajará terça-feira (25 de Fevereiro) para Teerão, disse o director de emergências de saúde da OMS, Michael Ryan, na conferência de Imprensa diária para relatar a evolução desse surto epidémico.

Ryan considerou provável que, no caso do Irão, a rápida multiplicação de casos esteja relacionada com as festividades religiosas com a participação de muitos milhares de fiéis, já que o centro do surto está localizado em Qom, considerada uma cidade sagrada para os xiitas.

No entanto, Tenros Adhanom Ghebreyesus acrescentou que, do ponto de vista científico, a missão conjunta na China também ajudou a demonstrar "que não houve mudança significativa no ADN do coronavírus".

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