Estará Portugal preparado para se defender de um ataque terrorista?

por: António Manuel Teixeira
Estará Portugal preparado para se defender de um ataque terrorista?
João Cruz

A convite da Juventude Popular de Oeiras, dois catedráticos especialistas em Relações Internacionais e Segurança Interna, Adriano Moreira e Armando Marques Guedes, deram a resposta.

A equipa liderada por José Limão organizou esta conferência porque com a eleição de Donald Trump “verificou-se que há uma mudança no ‘tabuleiro do xadrez’, pela vaga de refugiados que se vê na Europa, pelo aparecimento dos movimentos de extrema-direita e por isso é um tema interessante que está na ordem do dia”.

O líder da Juventude Popular de Oeiras está a completar o seu mestrado em Ciência Politica/Relações Internacionais tendo como seus professores os oradores desta conferência. “Eu percebi que tínhamos muito 'sumo' para aproveitar, além de que é um tema que não desaparece”, explicou.

Sendo uma organização que “vocaciona toda a sua política para os jovens”, “estes tipos de conferências são fundamentais”. Pois proporciona-lhes “um percurso académico melhor e com mais qualificação”.

Adriano Moreira afirmou que Donald Trump “vai governar a segurança e a defesa com critérios de empresa”.

Moreira também explicou que Portugal é membro da Nato, da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), do Instituto Nacional da Língua Portuguesa e que tem uma grande lealdade para com Inglaterra. Sobre a CPLP referiu ser “a única organização que conseguiu unificar um tratado”, sublinhando que isto “tem um peso enorme na vida internacional

Sobre a possibilidade de Portugal ser alvo de um atentado terrorista, Adriano Moreira explicou que “todo o ocidente está ameaçado”, embora a Segurança tenha recebido “uma grande atenção por parte dos Governos portugueses”. Sublinhou que “as nossas forças de segurança, quer internacionais, quer externas, são muito confiáveis”, no entanto “ninguém pode adivinhar qual o ataque que podem enfrentar”.

Já Armando Marques Guedes, teve uma intervenção muito mais clara e directa. Usou, quase, a mesma linguagem que os jovens presentes na sala, fazendo-se entender de forma mais clara.

Marques Guedes começou por recordar que “os filmes que vêem são franceses, americanos e portugueses”, a música que ouvem “é portuguesa, americana e inglesa” e as séries televisivas “são americanas ou inglesas”. Recordou também que a Austrália já foi uma província da Indonésia e que no Atlântico Sul a língua mais falada é o português. Frisou que em Portugal nunca existiu um racismo como “na Alemanha, Estados Unidos ou Rússia”.

O Professor revelou que em Fevereiro será regente de uma cadeira de Ciberespaço e que em breve leccionará na Academia Militar. Explicou ainda que a Playstation 4, “é usada pela Al-Qaeda e contém o sistema de encriptação mais seguro do mundo”.

Sobre um possível ataque terrorista, em Portugal, o orador referiu que a questão é “se e não quando”. Explicando, disse que lhe parece que os nossos Serviços de Informação “estão bem estruturados e articulados com o exterior”. Na sua opinião não haverá ataques “em larga escala”, mas sim “ataques minuciosos”. Esses que “magoam, mas não têm impacto científico-militar”, pois existem “alvos preferenciais” para os islamitas e “convém-lhes manter Portugal como território completamente neutro”. No seu entender o país “está salvaguardado pela tradição e pela marginalidade geográfica que tem”. Mas salientou que “pequenos ataques vão acontecer”, pois Portugal não tem “a ressonância que um ataque em Paris tem”. Concluindo com a explicação que “a Comunidade Islâmica, em Portugal, é pacífica”. Para além disso “não há jiadistas portugueses, nascidos em Portugal, a actuar na Síria, ou seja, onde for”. Existem apenas “filhos de segunda geração de emigrantes portugueses, que depois se radicalizaram e converteram ao Islão”.

José Limão afirmou que “Oeiras precisa de ser reconhecida e estimada por todos a nível nacional, como um concelho de excelência”.

Quanto à possibilidade de um ataque terrorista, o presidente afirmou que já “têm sido enviadas algumas mensagens por parte do Auto-proclamado Estado Islâmico, temos visto algumas noticias de alegados terroristas em Portugal”, sendo que na sua opinião “este é um território apetecível aos terroristas”. No entanto “não acho que seja prioritário ou que os ataques aconteçam agora”. Para José Limão existe uma “maior probabilidade noutros sítios”, sem descartar que “existem células de organizações terroristas em Portugal”, mas o país “é capaz de dar resposta” a um ataque terrorista.

Entre os muitos espectadores que assistiram à Conferência "Segurança Interna, Ameaças Externas", estiveram os presidentes das concelhias da Juventude Popular de Lisboa, Cascais, Sintra e Mafra. Marcou também presença o líder nacional da Juventude Popular Francisco Rodrigues dos Santos.

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