Bissaya Barreto foi um republicano radical, antes da amizade com Salazar

Bissaya Barreto foi um republicano radical, antes da amizade com SalazarO professor de Medicina Bissaya Barreto, que ficou para história como amigo próximo de António de Oliveira Salazar, foi na juventude "um dos mais radicais" republicanos do seu tempo, disse o historiador Carvalho Homem.
"Durante muito tempo, apenas se enfatizou a parte da biografia que dizia respeito à sua amizade com Oliveira Salazar e à circunstância de ter sido uma pessoa que ocupou determinadas funções de natureza técnico-corporativa, no Estado Novo", declarou.
Segundo o catedrático da Faculdade de Letras da de Coimbra, Bissaya Barreto "foi dos vultos mais radicais do republicanismo do seu tempo, quando era jovem".
Amadeu Carvalho Homem profere dia 18 às 18:30, na Casa Museu Bissaya Barreto, na Alta de Coimbra, uma conferência sobre "O republicanismo de Bissaya Barreto".
Natural da Castanheira de Pêra, Fernando Baeta Bissaya Barreto Rosa, patrono da fundação de Coimbra com o seu nome, foi iniciado como maçon em 1909 na loja "A Revolta", tendo aderido no mesmo ano à Carbonária "A Portugália".
No alvor do século XX, o aluno da Faculdade de Medicina de Coimbra "identificava-se como estudante revolucionário", acrescentou Carvalho Homem.
Em 1904, ainda durante a Monarquia que seis anos mais tarde daria lugar à República, integrava na cidade o Grupo de Livre Pensamento, uma "tertúlia académica" que promovia cursos noturnos para operários.
Surgido em 1906, no seio da Associação Académica de Coimbra (AAC), o Centro Republicano Académico, afecto ao Partido Republicano de Afonso Costa, passou a publicar o jornal Pátria, que era administrado por Alberto Feio de Azevedo e Bissaya Barreto.
Em 1906, Bissaya foi um dos subscritores do manifesto "Ao país. Dos estudantes revolucionários de Coimbra", redigido por António Granjo, Ramada Curto e Carlos Olavo, que criticavam a Monarquia e a Dinastia de Bragança.
No ano seguinte, participou activamente na greve académica contra a reprovação do estudante de Direito José Eugénio Dias Ferreira, "conhecido pelas afinidades que teria com o republicanismo e com Teófilo Braga".
Na obra "Subsídios para a história", Bissaya Barreto relata aquele "movimento explosivo de reação contra a senilidade do ensino universitário, fortemente castigado nas orações de sapiência dos professores Sobral Cid, Sidónio Pais e Bernardino Machado".
Em 1908, logo após o assassinato de SM o Rei D. Carlos, o Rei D. Manuel II presidiu em Coimbra à entrega de prémios aos alunos da Universidade que se tinham distinguido.
Bissaya Barreto, um dos jovens laureados, recusou receber das mãos do monarca os prémios que lhe foram atribuídos.
Em Janeiro de 1910, o futuro docente da Faculdade de Medicina passou a integrar o Comité Revolucionário Académico e Civil, constituído pela Carbonária e responsável, no Centro, pela organização da revolução republicana que triunfaria nove meses depois.
(ES)

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