Irina Bukova eleita

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Irina Bukova eleita Pela primeira vez uma mulher é eleita para a direcção da UNESCO. A diplomata búlgara Irina Bukova foi eleita dia 22, em Paris, directora da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) sem o voto de Portugal, que votou no polémico candidato egípcio, Faruk Hosni.

É a primeira mulher a ser eleita para dirigir a UNESCO e foi apenas a segunda vez que a votação chegou à quinta ronda, como tinha sucedido com a escolha de Federico Mayor.
O embaixador de Portugal na UNESCO, Manuel Maria Carrilho, admitiu à Agência Lusa, no final da eleição de Irina Bukova, que não votou nas duas últimas rondas de votação.
“Não ia fazer ontem uma coisa e hoje outra”, afirmou Manuel Maria Carrilho, recusando fazer qualquer outro comentário sobre a sua posição pessoal nesta votação.
A agência Lusa confirmou junto de fontes diplomáticas em Paris que o voto de Portugal dia 21 e dia 23 foi apresentado “por um diplomata da representação portuguesa na UNESCO”.
Manuel Maria Carrilho, segundo as mesmas fontes, alegou “questões de consciência” para não ser ele, directamente, a apresentar o voto de Lisboa em Faruk Hosni, a escolha do Ministério dos Negócios Estrangeiros nesta fase final da votação.
A candidatura de Faruk Hosni foi, desde o início, a mais polémica das nove que se apresentaram à sucessão do japonês Koïchiro Matsuura e motivou protestos de muitos intelectuais, como o francês Bernard-Henri Lévy.
Faruk Hosni, ministro da Cultura do Egipto durante 22 anos, é acusado de ser um inimigo da liberdade de expressão no seu país, com responsabilidade no regime de censura oficial em vigor naquele país.
Uma fonte diplomática afirmou à Lusa, horas antes da votação final, que o problema não era o facto de “o Egipto ser uma ditadura” mas a escolha de Faruk Hosni ser “uma candidatura aberrante”.
A insistência do Ministério dos Negócios Estrangeiros no apoio ao candidato egípcio terá como motivação a necessidade de Lisboa ter o apoio do Egipto na candidatura portuguesa ao lugar de membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas no biénio 2011-2012.
Contactada pela Lusa em Lisboa, a assessora de imprensa do Ministério português dos Negócios Estrangeiros, Paula Mascarenhas, explicou que “Portugal defendeu uma candidatura única da União Europeia mas não se conseguiu chegar a um consenso”.
“Depois de a candidata (austríaca) Benita Ferrero-Waldner retirar a candidatura, no âmbito dos vários apoios internacionais que se nos colocam, nós apoiámos a candidatura egípcia, juntamente com outros países europeus”, acrescentou Paula Mascarenhas.
“A candidatura austríaca era a nossa primeira opção, e em segunda opção esteve sempre o candidato egípcio”, sublinhou a assessora do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
“A posição portuguesa não está comprometida, está definida”, disse ainda Paula Mascarenhas.
Irina Bukova acabaria por vencer a quinta e última ronda, com 31 votos a favor, contra 27 votos obtidos por Faruk Hosni, um resultado que acabou com o empate de 29 votos registado dia 21, na quarta ronda.
“Trata-se de uma vitória de quem acredita que a UNESCO se deve renovar no sentido de revitalizar o combate pelos direitos humanos, pela promoção da cultura, pelo incitamento da causa da educação e da paz”, afirmou Manuel Maria Carrilho à Lusa reagindo ao anúncio do resultado.
“São estas as causas que levaram à criação da UNESCO, nos anos 40, e os resultados mostram que Irina Bukova acabou por convencer o plenário que é a candidata que melhor poderá realizar esse processo de renovação” da organização, acrescentou o ex-ministro da Cultura.
“Nós temos a noção de que o mundo está em crise e que a UNESCO é pouco escutada, pouco ouvida, pouco esperada”, salientou o embaixador português na UNESCO.
“Irina Bukova comprometeu-se com uma mensagem, com um programa que procura inverter esta situação e pôr de novo a organização no lugar que já teve e que era o (de ser um) centro do debate de ideias e de valores que hoje é necessário ter”, afirmou também Manuel Maria Carrilho.
“Não houve nenhuma crispação na votação. Houve comportamento exemplar de todas as partes”, concluiu o embaixador português na UNESCO.
Irina Bukova, actual embaixadora da Bulgária em França e junto da UNESCO, é uma diplomata de carreira e chefiou duas vezes a diplomacia búlgara.

(ES)

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