Um jantar com Iva Delgado

por: Zita Ferreira Braga
Um jantar com Iva Delgado

Prima Folia, uma Cooperativa Cultural, promove dia 30, pelas 20:00h, um Jantar  das Conversas Alternativas sobre a Modernidade, desta vez com um tema para debate bem actual, ou as conversas não fossem sobre a Modernidade.

O General sem Medo e os generais do futuro será o tema para conversar e reflectir com a convidada Iva Delgado.

Prima Folia – Cooperativa Cultural, e as suas Conversas Alternativas tem como objectivo promover debates sobre grandes questões da actualidade, questões que nunca será demais discutir á luz de diferentes prismas.  

Devido à crise global que também atingiu Portugal parece oportuno pensar em termos de futuro, tendo em conta que muitas soluções protagonizadas já deram os seus frutos que nalguns casos não levaram a lado nenhum.
É necessário, por isso, lançar novas iniciativas, recolher novas ideias, juntar novas parcerias, criar novos entendimentos.

O tema escolhido para estas conversas faz parte da nossa modernidade e permite-nos reflectir sobre um período da nossa história que não devemos esquecer para que não se repita.

O General sem Medo foi talvez um dos primeiros oficiais generais ligados á ditadura que verificou quanto de injustiça, atraso para o país, e vida medíocre dava ao povo português esse regime. 
Humberto Delgado nasceu em 1906 na Brogueira, concelho de Torres Novas. Frequentou o Colégio Militar e em 1922 ingressou no curso de Artilharia da Escola de Guerra, que terminou em 1925.
Três anos mais tarde, já como tenente, obteve o seu brevet de piloto-aviador. Concluiu o curso de Estado-Maior em 1936.
Promovido a general em 1952, tornou-se então o mais jovem das Forças Armadas.

Solidário com um regime de autoridade, Humberto Delgado alinhou desde a primeira hora com o 28 de Maio e a sua Ditadura Militar, sendo inclusivamente quem, enquanto aluno-piloto em Sintra, conseguiu que a Escola Prática de Infantaria, de Mafra, aderisse ao movimento direitista de Gomes da Costa.

No entanto, a sua viragem política veio em 1952 com a nomeação como Adido Militar e do Ar junto da Embaixada de Portugal em Washington e representante de Portugal na NATO. 
Esta estadia de cinco anos implicou um íntimo contacto com a democracia americana, obrigou-o a encarar o que se passava em Portugal e modoficar radicalmente o seu apoio incondicional ao regime.
Esta mudança de atitude tornou-o politicamente suspeito aos olhos do salazarismo.
A sua nomeação como Director-Geral da Aeronáutica Civil, a 1 de Outubro de 1957, pode ter representado uma vontade de afastamento do campo militar.

Em 1958 o General Craveiro Lopes terminava o seu mandato presidencial. Salazar considerava-o de “conotações de esquerda” e decidiu não promover a sua reeleição.
A escolha recaiu então no Almirante Américo Tomás, que por 14 anos ocupara o cargo de Ministro da Marinha. Entretanto, segundo consta, Delgado havia feito uma visita ao seu velho amigo Henrique Galvão, então detido no Forte de Peniche, e este convencera-o a candidatar-se à Presidência.
Outro candidato foi o Dr. Arlindo Vicente, apoiado por socialistas e comunistas.
Mas este desistiu em favor de Humberto Delgado.

No seu programa como candidato independente, sem qualquer compromisso partidário, Delgado propunha vários pontos de nítido cunho liberal: reintegração dos funcionários afastados do serviço por motivos políticos, amnistia a todos os presos políticos, liberdade de expressão e de associação, eleições gerais livres a curto prazo e moralização dos costumes políticos e da administração pública.

A sua atitude durante a campanha eleitoral revelou-se indiscutivelmente corajosa. Quando numa conferência de imprensa no Café Chave d’Ouro, em Lisboa, é perguntado pelo delegado da agência France Press sobre o que faria em relação a Salazar se vencesse as eleições responde sem qualquer hesitação: “Obviamente, demito-o!”.
Ondas de choque percorrem a assistência. Salazar, apesar da sua já avançada idade, continuava a ser para muitos portugueses um sacrossanto, quase idolizado, intocável símbolo de um ressurgimento nacional e esta resposta soava como pouco menos do que iconoclástica.
Mas acabou por ser derrotado graças à gigantesca fraude eleitoral montada pelo regime.

Em 1959, na sequência da derrota, vítima de represálias por parte da polícia política, pede asilo político na Embaixada do Brasil, seguindo depois para o exílio na Argélia.

Convencido de que o regime não poderá ser derrubado pelos meios pacíficos procura atrair as chefias militares para um golpe de Estado.
Este golpe foi por fim executado em 1962 e planeou tomar de assalto o quartel de Beja e outras posições estratégicas e importantes de Portugal. A revolta fracassou.

Desiludido com os sucessivos fracassos procura reconciliar-se com Salazar, que por fim o convoca.
Ao seu encontro, na fronteira Espanhola em Villanueva del Fresno, arredores de Olivença, é enviado um comando da PIDE, liderado por Rosa Casaco que o assassinou a tiro, bem como à sua secretária.
Morre assim na fronteira, no dia 13 de Fevereiro de 1965.
Em 1990 foi nomeado Marechal da Força Aérea. O seu corpo está, agora, no Panteão Nacional.

Iva Delgado tem dedicado grande parte da sua vida a estudar e a analisar regimes e pessoas que marcaram os naturais do seu País, tanto positiva como negativamente.
Iva Delgado, presidente da Fundação Humberto Delgado, irá falar de experiências pessoais e de vivências em ditadura e em democracia, num momento que promete ser dinâmico, num jantar que promete uma conversa viva, actual e de boa reflexão.
A propósito da morte do seu pai, um caso a que Iva Delgado tem dedicado a vida para que não caia no esquecimento, confessou que o assassino de Humberto Delgado, Rosa Casaco, ao serviço da PIDE, "vingou-se" ao entrar no país no ano passado apesar de procurado.
Da mesma forma que "há 30 anos Humberto Delgado se vingou do fascismo ao entrar clandestino em Portugal", o que para a investigadora significou "a maior humilhação da polícia política".

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