"Agrippina" de Händel, no São Carlos

por: Zita Ferreira Braga
Estreia na sexta-feira 17 de Abril, às 20:00h, pela primeira vez no palco do São Carlos,a ópera Agrippina numa nova produção do TNSC com o Theatre Erfurt. 

Conta com encenação de Michael Hampe, direcção musical de Nicholas Kok, cenografia e figurinos de Hank Irwin Kittel, desenho de luz de Hans Toelstede e participação da Orquestra Sinfónica Portuguesa.

Agrippina é um dramma per musica em três actos do compositor George Friedrich  Händel e libreto do Cardeal Vincenzo Grimani.
Esta foi a segunda e última ópera escrita por Händel em Itália, tendo-se revelado um enorme sucesso dando ao jovem compositor reputação internacional.

Estreada em 1709 em Veneza, esta ópera conta a história de Agrippina, a mãe de Nero, e a queda do imperador romano Cláudio e da ascensão de seu filho como imperador.

Responsável por estreias mundiais, Nicholas Kok dirige pela primeira vez no São Carlos.

De igual modo, Michael Hampe que, em Fevereiro de 2008 encenou La Cenerentola na Ópera de Helsínquia (com Alberto Zedda na direcção musical), tem nesta produção a sua estreia no SãoCarlos.
No elenco, de destacar Alexandra Coku no papel principal e  Reinhard Dorn que interpreta Cláudio.
Musa Knuna, Andrew Watts, Luís Rodrigues, Chelsey Schill, Manuel Brás da Costa, Jorge Martins, Mário Silva e Costa Campos são os restantes cantores que estarão em palco no São Carlos  na exibição de Agrippina, uma ópera de Händel, de grande sucesso.

No contexto desta ópera, o São Carlos recupera a tradição setecentista do intermezzo -uma pequena representação operática de carácter cómico habitualmente introduzida no meio de uma ópera séria.

“O Velório de Cláudio ou A Representação Bufa de Personagens Históricas” é, assim,uma estreia absoluta de uma encomenda feita pelo TNSC ao compositor Nuno Côrte-Real com libreto de José Luis Peixoto e que será apresentada, por razões artísticas, no início do espectáculo.

Desta feita é  Nuno Côrte-Real quem partilhará com o público uma perspectiva pessoal sobre a obra de Händel, dando assim seguimento ao projecto “Breves Palavras pelos Compositores de Hoje” a decorrer trinta minutos antes de cada récita no Salão Nobre do Teatro.

AGRIPPINA, de George Frideric Händel
O Velório de Cláudio ou A Representação Bufa de Personagens Históricas”, de Nuno Corte-Real
Dias e horários:
17, 21, 24, 30 de Abril às 20h00
19 e 26 de Abril de 2009 às 16h00
Direcção Musical: Nicholas Kok
Encenação: Michael Hampe
Cenografia e Figurinos: Hank Irwin Kittel segundo o conceito de Mauro Pagano
Desenho de Luz: Hans Toelstede
Com a participação da:
Orquestra Sinfónica Portuguesa
INTÉRPRETES
• Agrippina - Alexandra Coku
• Claudio - Reinhard Dorn
• Nerone - Musa Nkuna
• Ottone - Andrew Watts
• Pallante – Luís Rodrigues
• Poppea - Chelsey Schill
• Narciso - Manuel Brás da Costa
• Lesbo - Jorge Martins
• Pretorianos - Mário Silva / Costa Campos

Agripina, A Ópera

Acto I
Agripina, mulher do imperador Cláudio, comunica a Nero, seu filho de um primeiro casamento,que o padrasto morreu no mar, e o seu próprio projecto de fazer com que ele lhe suceda no trono, aconselhando-o a ir distribuir ouro pelo povo de Roma de modo a obter o seu apoio.

Depois de ele partir chama os seus dois libertos Pallante e Narciso, cada um por sua vez. Ambos ignoram que o outro está apaixonado por ela, se bem que ela esteja a par dos afectos dos dois.

Promete o seu amor e a partilha do poder a ambos se Nero se tornar imperador, e eles partem para o Capitólio para apoiar as pretensões de Nero. Agripina chega para anunciar a morte de Cláudio e pede aos presentes que escolham um novo imperador.

Pallante, Narciso e a própria Agripina proclamam imediatamente o nome de Nero.
Agripina e Nero sentam-se no trono, mas o criado de Cláudio, Lesbo, vem anunciar que o seu amo foi salvo por Ottone, o comandante do exército, e que acabou de desembarcar em Anzio.

Ottone chega ele próprio e, para desânimo dos conspiradores, declara que em sinal de gratidão Cláudio lhe prometeu o trono, mas entretanto confidencia a Agripina que ama a bela romana Poppea mais do que o próprio trono.

Agripina sabe que Cláudio também ama Poppea, e mantém por isso a esperança de que os seus planos não terão sido totalmente destroçados.
Sozinha em sua casa, Poppea mira-se ao espelho, feliz por conseguir despertar o amor de Ottone, de Cláudio e de Nero. Lesbo vem anunciar-lhe a visita secreta de Cláudio para essa noite.

Agripina, que acabou de chegar e os ouviu escondida, após confirmar que Poppea ama realmente Otonne, informa-a que está disposto a cedê-la a Cláudio em troca da promessa do trono.
Agripina sugere a Poppea que esta castigue Ottone, dizendo a Cláudio que Ottone lhe tinha ordenado que ela recusasse as atenções de Cláudio e se entregasse a ele.

Quando Cláudio chega, Poppea segue exactamente o plano de Agripina, convencendo-o a retirar a Ottone a sucessão ao trono.
Cláudio tenta seduzir Poppea mas é obrigado a fugir pela chegada de Agripina, que protesta a sua amizade por Poppea e lhe pede que confie nela.

Acto II
Pallante e Narciso descobriram que Agripina os enganou aos dois e decidem aliar-se contra ela.
Chega Ottone, que continua mais interessado no amor de Poppea do que no trono, seguido de Cláudio conduzido numa quadriga triunfal.

A Germânia acabou de ser conquistada e todos os seus súbditos proclamam a sua glória. Cláudio reafirma o seu amor por Agripina, mas em aparte declara também a Pompeia o quanto a adora. Quando Otão se lhe dirige para reclamar a sua

prometida recompensa, Cláudio repele-o brutalmente, chamando-lhe traidor, e parte. Otão fica estupefacto e vira-se sucessivamente para todos os presentes, pedindo-lhes o seu apoio, mas todos o rejeitam, mergulhando-o no desespero.

Sozinha num jardim, Pompeia interroga-se se o seu apaixonado não estará na realidade inocente e, ao vê-lo aproximar-se, finge-se adormecida. Otão esconde-se e ouve Pompeia rememorar em voz alta aquilo que Agripina lhe tinha dito. Otão não se consegue dominar e revela a sua presença, protestando veementemente a sua inocência.

Pompeia apercebe-se de como Agripina a enganou e jura vingar-se, tecendo a sua própria intriga. Começa por aceitar o pedido que Cláudio, lhe faz, através de Lesbo, de que o receba nos seus aposentos, e convida igualmente Nero a encontrar-se ali com ela.

Entretanto, Agripina diz a Cláudio que Otão continua ainda a aspirar ao trono, e irá decerto conspirar para o conseguir, aconselhando-o a proclamar Nero como seu sucessor. Cláudio aceita, ansioso que está de rever Pompeia.

Acto III
Pompeia pede a Otão que se esconda por detrás de um cortinado nos seus aposentos e que se mantenha em silêncio o que quer que seja que ouça. Chega Nero, a quem Pompeia diz que Agripina irá chegar, convencendo-o a esconder-se também.

Cláudio entra, mas Pompeia queixa-se de que ele não a ama realmente. Cláudio lembra-lhe que puniu Otão por causa dela, mas Pompeia diz-lhe que ele a ouviu mal: não foi Otão mas sim Nero quem a insultou. Para o provar diz a Nero que apareça.

Ao vê-lo, Cláudio ordena-lhe que parta e não mais ouse comparecer
diante dele. Pompeia desembaraça-se então de Cláudio dizendo-lhe que não lhe poderá conceder o seu amor enquanto Agripina continuar a demonstrar tanta ira para com ela. Pompeia faz com que Otão saia do seu esconderijo e ambos juram eterno amor um ao outro.

Nero conta a sua mãe como acabou de cair em desgraça e pede-lhe que o proteja, afirmando renunciar ao amor em troca da ambição política. Entretanto, Palas e Narciso contam a Cláudio a conspiração para colocar Nero no trono, de modo que quando Agripina insiste com Cláudio que ele nomeie Nero como seu sucessor, aquele acusa-a de lhe ter tentado roubar o trono.

Ela reconhece tê-lo feito somente para evitar intrigas entre o povo e o Senado e que a sua intenção era a de salvaguardar o trono para o próprio Cláudio. Consegue convencê-lo, dizendo-lhe além disso que abandone Pompeia, uma vez que esta é amante de Otão, mas Cláudio contradi-la, informando-a, que de facto, Pompeia é amante de Nero.

Quando Pompeia, Otão e Nero chegam, Cláudio acusa Nero de se ter escondido nos aposentos de Pompeia e anuncia que, no fim de contas, será Otão quem lhe irá suceder no trono e que Nero se casará com Pompeia.
Mas como esta solução não agrada a ninguém, Cláudio, desejoso de pôr um ponto final em todos os conflitos, acaba por entregar Pompeia a Otão e por declarar Nero seu sucessor. Por fim, invoca a deusa Juno (Giunone) para abençoar o Império e os noivos.

Georg Friedrich Händel
Nascido em Halle, Alemanha, a 23 de fevereiro de 1685, Georg Friedrich Haendel era filho de Georg Haendel, cirurgião-barbeiro do Duque de Saxe.

O velho Georg, embora não fosse insensível à música, não recebeu muito bem o interesse do garoto por esta arte: queria fazer de seu filho um advogado, profissão honrada e segura.

Seu pai ia com freqüência a Wersenfels e certa vez levou o filho. Ao notar o interesse do rapaz pela música apoia a sua tendência e em boa hora o fez.
Em 1707 Händel apresenta sua primeira ópera em italiano, Rodrigo, em Florença, com êxito.

Este sucesso animou-o a prolongar sua viagem até Veneza, um grande centro musical, onde travou conhecimento com o Príncipe Ernest de Hanover e fez amizade com Domenico Scarlatti.

De Veneza, Haendel e Scarlatti, ambos com 23 anos, partiram juntos para Roma, onde ecos do sucesso de Rodrigo levaram os mecenas a disputar a oportunidade de os receber.

No mesmo ano foi a Nápoles, onde encontrou a mesma acolhida encontrada em Roma.
Nesta época teve um romance com uma certa Dona Laura, de quem se conhece apenas o prenome e que deve ter sido uma princesa espanhola.

Em 1709, de volta a Veneza, escreve a ópera Agrippina.

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