Câmara do Fundão decreta três dias de luto municipal pela morte da fadista Celeste Rodrigues

A Câmara Municipal do Fundão, concelho onde Celeste Rodrigues nasceu, emitiu hoje uma nota de pesar e anunciou que vai cumprir três dias de luto municipal pela morte da fadista

. Ler mai"Foi determinado o luto municipal do dia 01 a 03 de Agosto, colocando a bandeira do município a meia haste durante esse período", refere a autarquia em comunicado enviada à agência Lusa.

Na nota, este município do distrito de Castelo Branco também apresenta "sentidas condolências à família e amigos desta ilustre cidadã" do concelho.


A informação lembra igualmente que Celeste Rodrigues nasceu em Alpedrinha (Fundão), em 1923, e que foi homenageada pela autarquia fundanense, no ano de 2015, com a atribuição da Medalha de Mérito Municipal.

Com 95 anos, a fadista morreu hoje, em Lisboa, e celebrizou fados como 'Noite de Inverno', 'As Lendas Algas' e 'Saudade vai-te embora', tendo, ao longo de uma carreira de 73 anos, pisado os mais diferentes palcos, desde as casas de fado de Lisboa, ao antigo Casino da Urca, no Rio de Janeiro, onde atuou com a irmã Amália Rodrigues, ao Teatro dos Campos Elísios, em Paris, ou ao Concertgebouw, em Amesterdão, e ao Queen Elizabeth Hall, em Londres.

Celeste Rodrigues actuou em Abril no Town Hall, em Nova Iorque, ao lado de Carlos do Carmo, no âmbito do Festival de Fado.

Em Maio, cantou no palco do Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, e, na altura, disse à Lusa que "cantar é sempre uma alegria".


No último ano, a fadista estreitou relações com Madonna, actualmente a viver em Lisboa, com quem passou a última passagem do ano, em Nova Iorque.

Numa das suas entrevistas à Lusa, Celeste Rodrigues afirmou: "Acho que o fado é uma música linda, maravilhosa. Com palavras bonitas, ainda mais maravilhoso fica. Portanto, é natural que faça sucesso. E [o fado] entra em nós, está nas veias de todos os portugueses".

Por seu lado a Câmara Municipal de Lisboa emitiu uma nota onde constata que Lisboa "chora" a morte de Celeste Rodrigues

"Lisboa era a cidade da sua vida, apesar de nascida no Fundão, em 1923. E é essa mesma Lisboa que chora a morte da fadista, lembrando-a com saudade 'na esquina da minha rua'. Como na canção", lê-se no comunicado da autarquia.

Referindo-se à fadista, a edilidade escreve: "Não tinha medo de juntar a sua voz às vozes da nova geração", e refere que "há poucos anos, num espectáculo em sua homenagem, que assinalou os seus 65 anos de carreira, cantou no Teatro São Luiz, com Camané, Fábia Rebordão, Hélder Moutinho, Jorge Fernando, Mafalda Arnauth, Raquel Tavares, Ricardo Ribeiro, além de Tim e Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés".

No mesmo texto, o município sistematiza a carreira da fadista, salientando que se estreou em Lisboa, em 1945, que actuou no Brasil e Estados Unidos, entre outros países.

"Ao longo de mais de sete décadas, [Celeste Rodrigues] concretiza uma carreira de sucesso, que a levou das casas típicas de fado, em Lisboa, à rádio e televisão, aos palcos de dezenas de países" e "participou em mais de 60 discos".

'A Lenda das Algas', 'Saudade, vai-te Embora' e 'O Fado das Queixas' são os temas do seu reportório que o município destaca.

O documentário 'Fado Celeste' (2010), de Diogo Varela Silva, vai ser exibido hoje às 21:53, na RTP, anunciou a televisão pública, que se refere a Celeste Rodrigues como "uma das mais reconhecidas fadistas da sua geração".

"A vida e obra de uma artista que nunca deixou de cantar, e um exemplo para as gerações vindouras", afirma a RTP.

"Ao longo do documentário vamos conhecer as histórias de Celeste Rodrigues e ver a alegria com que, aos 87 anos, interpretava os seus temas marcados pela sua singularidade e autenticidade. Um percurso de 65 anos de carreira recheado de boas memórias, onde a fadista partilha a riqueza de ter vivido uma vida inteira a fazer aquilo amava", r.

Celeste Rodrigues, de 95 anos, morreu hoje, em Lisboa, e celebrizou fados como 'Noite de Inverno' e 'Pode ser Mentira', tendo, ao longo de uma carreira de 73 anos, pisado os mais diferentes palcos, desde as casas de fado em Lisboa, ao antigo Casino da Urca, no Rio de Janeiro, ao lado da irmã Amália Rodrigues, do Teatro dos Campos Elísios, em Paris, ao Concertgebouw, em Amesterdão, ou ao Queen Elizabeth Hall, em Londres, entre outros.

A fadista Celeste Rodrigues era uma "lenda viva", para Madonna, mas foi Argentina Santos a reconhecer-lhe o segredo da voz, "uma caixinha de música [que tinha] na garganta".

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