Carlos Mendes emocionado e homenageado na SPA encantou ao piano

Carlos Mendes mostrou estar em grande forma na gala de entrega da medalha de honra da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA)que decorreu ontem no Auditório Frederico de Freitas.

 

Depois dos habituais discursos do presidente da SPA, José Jorge Letria, de Tozé Brito e do homenageado Carlos Mendes, coube a este último mostrar toda a sua qualidade artística tanto no piano como com a voz.

Impressionante como depois de 50 anos de carreira, temas como "Amélia dos olhos doces" se mantêm tão actuais e aplaudidos por várias gerações, que tornaram o auditório muito pequeno para tamanha manifestação de carinho e apreço pelo artista.

Familia, amigos, colegas ou simples cidadãos anónimos todos quiseram mostrar o reconhecimento por um artista "que construiu um legado na cultura portuguesa" como referiu Tozé Brito.

Coube ao presidente da direcção da SPA abrir os discursos começando por lembrar que a cerimónia tinha como objectivo "a passagem dos 50 anos de carreira do Carlos Mendes" devido ao "percurso exemplar de uma das figuras mais marcantes da vida cultural e artística". Amigo de longa data recordou ainda que Carlos Mendes é "arquitecto de profissão" e que levou ao Festival da canção da RTP temas como "Verão" ou "Festa da Vida" e que já nessa altura "sabia estar em palco como poucos" tendo sido aconselhado "a pensar três vezes quando me veio dizer que queria deixar a arquitectura para se dedicar totalmente à música" abdicando "de um salário fixo para cumprir o seu sonho".

Terminou dizendo que "ele sempre cantou bem, mas penso que actualmente ainda canta melhor, tem um grande cuidado com o seu instrumento vocal".

Tozé Brito começou por lembrar que integrava o Quarteto 1111 quando Carlos Mendes integrava o grupo Sheiks, sendo na altura dois dos grupos mais importantes da musica nacional. Cruzaram-se várias vezes em palco "numa altura em que aprendemos a respeitar-nos, a respeitar a musica e a fazer musica em português". Acrescentou que "apesar de gostar de o ouvir cantar, gosto ainda mais dos temas que compõe enquanto autor".

O homenageado depois destes elogios estava "à rasca, numa situação complicada, pois estou com a garganta seca e ainda tenho que ir cantar. Não estou habituado a isto". Num discurso emocionado lembrou a ex-companheira Ana Maria Lucas, a actual companheira Lena, os filhos, os irmãos "que foram sempre o meu exemplo a seguir e que me ensinaram valores como a igualdade, a fraternidade e o respeito" para além de toda a família "que sempre gostou e se interessou muito por cultura" além claro dos "meus poetas Joaquim Pessoa e José Jorge Letria".

E foi já com a voz um pouco embargada que saiu da mesa e se deslocou para o pianoe interpretou tema como "Arquitecto dos sons" ou "Amélia dos olhos doces" arrebatando a assistência que com ele cantou e o apludiu efusivamente e de pé, como se aplaude os grandes artistas. Bem na voz e brilhante no piano, mostrando que quem sabe não esquece.

Esta condecoração na comemoração dos 50 anos de carreira premeia uma carreira de grande mérito do cantor, autor e compositor Carlos Mendes, como já aqui referimos.

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