"A maioria dos visitantes não tem noção do que aconteceu durante o Holocausto"

"A maioria dos visitantes não tem noção do que aconteceu durante o Holocausto"
Divulgação

O Museu do Holocausto do Porto recebeu mais de 10 mil visitantes no primeiro mês, com uma média de 300 visitantes por dia, oriundos de todo o país e de Espanha.

Gerou também muito interesse político-diplomático, com visitas das embaixadas de Israel, Estados Unidos, Rússia, França, Suécia, entre outras.

O visitante-tipo do Museu do Holocausto é o adolescente e o cidadão comum. Há sempre longas filas de pessoas que aguardam diariamente para entrar, devido a limitação de número de visitantes por orientação da DGS. É interessante registar que já houve taxistas que decidiram visitar o Museu depois de aqui terem trazido vários interessados”, afirmou, em comunicado, Jacob Levi, membro da Comunidade Judaica do Porto, assíduo no Museu. “Em geral, as pessoas agradecem o conceito simples e conciso do Museu, visitável num espaço de tempo curto e intenso, com grande potencial transformador no sentido da tolerância, não apenas para os adultos, mas também para os seus filhos. Há crianças de 12 anos que deixam comentários surpreendentemente maduros no livro disponível na saída do espaço e que já está muito preenchido”.

Gabriela Cantergi, membro da Direcção da Comunidade, diz que o Museu foi concebido "para fazer parte de um projecto inter-religioso, filantrópico e de combate ao antissemitismo que envolve cursos para professores, filmes sobre a história dos judeus em Portugal e visitas ao Museu Judaico e à Sinagoga. Contudo, a enorme dimensão que tomou em tão pouco tempo fez dele um equipamento autónomo já adoptado pela sociedade”.

O Museu do Holocausto do Porto abre durante os dias da semana, entre as 14:30 e as 17:30 e é gratuito para todos os públicos até ao mês de Junho. Após essa data, os jovens continuarão a beneficiar de entrada livre. “Visto que 70% do público é constituído por jovens, sobretudo adolescentes, que aqui se deslocam em grupo, fora do contexto escolar, decidimos estender a gratuidade para menores de 30 anos, sem prazo. Definiremos outros passos com os nossos parceiros nacionais" (Projecto Nunca Esquecer e delegação portuguesa no IHRA) e internacionais (Museus do Holocausto de Washington, Moscovo e Hong Kong, B’nai B’rith International e Anti Defamation League), explica Gabriela Cantergi.

Entre os membros da Comunidade que estão no Museu do Holocausto para conversarem com os visitantes, encontram-se filhos de sobreviventes. É o caso de Josef Lassmann, cuja mãe esteve no bloco de experimentos de Auschwitz e o pai que perdeu toda a família no Holocausto. "A maioria dos visitantes não tem noção do que aconteceu durante o Holocausto. Quando eles percorrem o Museu e descobrem que podem falar directamente com um filho de sobreviventes do Holocausto, esse é sempre o momento mais emocionante da visita. São conversas longas, interessadas, muito emocionantes para os visitantes e para mim próprio".

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