Museu da Quinta Nova, no Rio de Janeiro, ardeu: "a gente tinha consciência da fragilidade do museu, mas não deu tempo"

Museu da Quinta Nova, no Rio de Janeiro, ardeu: "a gente tinha consciência da fragilidade do museu, mas não deu tempo"
Reuters/Ricardo Moraes

Um incêndio atingiu o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, destruindo o acervo com dois séculos de história.

 

O mais antigo museu do país apresentava problemas de manutenção, devido ao corte orçamental, conforme noticiou o Folha de São Paulo.

O Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, outrora residência de reis e imperadores, tinha um acervo de 20 milhões de peças.

O incêndio começou pelas 19:30 de domingo (02 de Setembro) e pelas 21:15, depois do combate por várias corporações, entrou uma equipa especializada para tentar bloquear áreas ainda não atingidas pelas chamas e avaliar a extensão dos estragos.

O início do incidente começou pouco tempo depois de ter encerrado as portas ao público do Museu e do Jardim Zoológico, que se localiza ao lado do edifício.

A catástrofe foi maior, uma vez que não existia água nas bocas de incêndio em redor, conforme explicou à comunicação social o comandante-geral dos Bombeiros do Rio de Janeiro.

A vice-directora do Museu, Cristina Serejo, afirmou que "ainda não é possível avaliar a extensão dos danos", mas acredita que "praticamente todo o acervo ficou destruído", salientando que "algumas colecções que estavam num anexo, foram preservadas".

A responsável afirmou também que existia um plano para instalar equipamentos anti-incêndio: "a gente tinha consciência da fragilidade do museu, mas não deu tempo".

O director, Paulo Knauss, da instituição afirmou à Globo que "no seu interior há peças delicadas e inflamáveis. Uma biblioteca fabulosa". Segundo Knauss, "o acervo do museu não é para a história do Rio de Janeiro ou do Brasil". O responsável afirmou que o Brasil "está carente de uma politica que defenda os nossos museus".

O realizador brasileiro, Valério Fonseca, escreveu na sua página do Facebook, "Meu Deus que lastimável... perda incalculável". Valério Fonseca referiu também "o pior que deve ter gente achando bom tudo isso. Não duvide. São os golpistas, fascistas e racistas. Os verdadeiros corruptos. Eles odeiam arte, cultura e conhecimento. Eles só conhecem a lei do dinheiro e da manipulação".

Para o professor de Geologia João Wagner Alencar, "é um prejuízo incalculável. A Ciência e a História brasileira estão sendo queimadas", frisando que "estamos muito emocionados. É como se tivesse morrido alguém muito próximo".

O Presidente do Brasil, Michel Temer, afirmou ser “incalculável para o Brasil a perda do acervo do Museu Nacional. Hoje é um dia trágico para a museologia de nosso país”.

Temer afirmou também que “foram perdidos duzentos anos de trabalho, pesquisa e conhecimento”. Para o Presidente “o valor para nossa história não se pode mensurar, pelos danos ao prédio que abrigou a família real durante o Império. É um dia triste para todos brasileiros”.

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