Marca Açores convida Chefs a conhecer a gastronomia de Santa Maria

por: António Manuel Teixeira
Marca Açores convida Chefs a conhecer a gastronomia de Santa Maria
Marca Açores

A Marca Açores terá uma promoção do território, gatronomia e tradições, na Ilha de Santa Maria.

O evento que visa valorizar e promover o território, os produtos e as tradições, elevando-o como destino turístico gastronómico, preservando a riqueza do património e receituário local.

Até 11 de Julho, os chefs André Cruz (Feitoria, 1* MICHELIN), João Sá (Sála, 1* MICHELIN) e José Pereira (Õtaka) vão conhecer produtores, cozinheiros, empresários e restauração locais, num intercâmbio de conhecimento que "permita preservar os costumes antigos ao mesmo tempo que aportam novos entendimentos sobre a melhor forma de enriquecer a gastronomia da ilha", refere o comunicado.

O património gastronómico da Ilha vai estar em destaque numa acção da Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação, através do Gabinete de Gestão e Promoção da Marca Açores, com o apoio da Visit Azores, que junta chefs profissionais à restauração e produtores locais, com "o levantamento do receituário tradicional e o aprofundamento do conhecimento dos produtos identitários da ilha".

O Secretário Regional da Agricultura e Alimentação disse: "É importante valorizar o território da Ilha de Santa Maria através dos seus produtos, das pessoas que os produzem e mantêm vivas as tradições e cultura da ilha. Esta é uma iniciativa tem como objectivo valorizar e diferenciar as ilhas açorianas, evidenciando o seu carácter próprio, enaltecendo o produto açoriano, certificado pela Marca Açores, um garante da sua origem e alta qualidade". António Ventura acrescenta: "Santa Maria permanece ainda desconhecida para muitos portugueses e é importante levar a cabo ações como esta, que dignifiquem e promovam os vários produtos gastronómicos numa relação directa com o património local, possibilitando uma maior divulgação enquanto destino turístico gastronómico”.

Os chefs convidados vão visitar locais tão emblemáticos como as Vinhas da Baía de São Lourenço e conhecer as particularidades da endógena Meloa de Santa Maria IGP, o queijo de ovelha, as Sopas do Espírito Santo marienses, o Caldo de Nabos ou os famosos Biscoitos de Orelha, produtos únicos desta ilha do grupo Oriental do arquipélago açoriano. É o caso do queijo e requeijão de ovelha, que apenas se produz nesta ilha, onde os vastos rebanhos de ovelhas substituem as tradicionais vacas leiteiras que simbolizam as ilhas açorianas. A qualidade da carne de vaca, angus e limousine, a extensa variedade de peixes à venda nas bancas que refletem a riqueza subaquática, a meloa que assume a identidade da própria ilha como o produto-bandeira de Santa Maria ou a recuperação da produção de vinho Verdelho através de métodos ancestrais, são parte deste património que importa realçar e garantir que não se perca.

Em cada visita, será contada a história, provado o produto e conhecido o método de produção para que, no final, os chefs possam aportar um maior conhecimento, sobretudo à restauração local, que leve ao enaltecimento deste legado único, com a recuperação do receituário tradicional e a introdução de um melhoramento das práticas diárias na oferta gastronómica na ilha.

Para esse efeito, decorrerão ainda encontros formativos entre os chefs e os representantes dos restaurantes inscritos, nos dias 10 e 11 de Julho.

A iniciativa termina com um jantar preparado pelos chefs e com o apoio dos participantes nos encontros formativos, servido no restaurante Ponta Negra, o único restaurante da ilha com certificação Marca Açores, onde será dado a provar o Vinho Verdelho de Santa Maria, com uma produção exclusiva de 112 garrafas.


Esta acção vem no seguimento da promoção efectuada o ano passado nas ilhas das Flores e do Corvo, com moldes semelhantes, num esforço da Marca de consciencializar para a importância de garantir a preservação da cultura e tradições identitárias de cada ilha, com os seus produtos cada vez mais valorizados e reconhecidos além das suas fronteiras, com uma qualidade ímpar que faz do arquipélago um destino tão diferenciado em termos de gastronomia.

Sobre os chefs convidados

 

André Cruz

Formado pela Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, em Cozinha e Pastelaria, André Cruz destaca do seu percurso as passagens pelo Bica do Sapato e o VírGula, ao lado do chef Bertílio Gomes. Depois de ter entrado em 2009 no Feitoria Restaurante & Wine Bar, em 2014, decide fazer uma pausa e embarcar numa aventura gastronómica pela América do Sul que o levou até ao renomado restaurante Gustu, da chef Kamilla Seidler, na Bolívia, e ao Boragó, no Chile, do chef Rodolfo Guzman. De regresso a Portugal, ingressa novamente no Feitoria, em 2015, com a responsabilidade de souschef. Mais tarde, em 2022, assume a liderança da cozinha do restaurante e apresenta o seu primeiro menu de autor, o Semente, reconhecido dias depois como “Chef Revelação 2022”, pelos prémios Mesa Marcada, e integra ainda a lista dos “20 chefs que vão dar que falar”, do Guia Boa Cama Boa Mesa, do Expresso. O seu trabalho garantiu ao Feitoria a manutenção da Estrela MICHELIN, permitindo ainda a integração do restaurante no reconhecido guia La Liste e no 50 Best Discovery.

João Sá

Apaixonado por gastronomia e vinhos, começou a sua aventura culinária em tenra idade, com apenas 14 anos. Ao longo da sua carreira profissional, trabalhou com chefs como Abraham Garcia, Ljubomir Stanisic e Jerónimo Ferreira. Aos 23 anos, abre o seu primeiro restaurante em Sintra onde põe em prática o seu lado irreverente, mudando a carta todas as semanas ao longo de quatro anos, sem nunca repetir um prato. Hoje em dia, é no seu restaurante Sála, recentemente reconhecido com uma estrela pelo guia MICHELIN, que explora uma culinária “viajante”, guiada pelas suas raízes africanas e pela cidade de Lisboa, marcada pela sua abertura ao mundo e pelas influências externas.

José Pereira

José Pereira nasceu na ilha de Santa Maria onde passou a sua infância e juventude. Saiu da ilha rumo ao continente para estudar informática, mas de imediato se apercebeu que aquela não era a sua vocação. Decidiu mudar para o curso de Produção Alimentar em Restauração, na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril. Durante o curso, e após o mesmo, fez estágios e trabalhou em hotéis e restaurantes na grande Lisboa. Em 2010, teve uma oportunidade em Genebra, na Suíça, e durante sete anos integrou a equipa do Four Seasons Hotel des Bergues, trabalhando nos seus dois restaurantes, Il Lago e Izumi. Ali, teve a oportunidade de trabalhar no terreno com grandes chefs, conhecer novos produtos e adquirir conhecimento técnico que consolidaram os seus gostos e a forma de ver a gastronomia. O desejo de regressar a Portugal fê-lo explorar as possibilidades na ilha de São Miguel e foi no centro de Ponta Delgada que, em 2018, abriu o seu primeiro negócio, o restaurante Õtaka. Mais recentemente lançou um novo projeto, o restaurante Ají.

Sobre a Marca Açores

Com o objetivo de levar a essência dos Açores além das suas águas, a Marca Açores espelha a tradição combinada com os conceitos atuais de inovação e criatividade, num convite claro a que se conheça e reconheça a origem singular dos produtos e serviços deste arquipélago no Atlântico.

Certificados pela sua natureza de cariz único e autêntico, os valores da Marca Açores nascem com a paisagem, as pessoas, os sabores, os objetos e as tradições que compõem a história de cada ilha, que se espelha numa representação gráfica que emite um selo de origem, o selo Marca Açores – Certificado pela Natureza, impulsionador da promoção externa e interna da Região.

Com a natureza como pilar central deste projeto, o elevado valor ambiental, a diversidade e a exclusividade natural dos Açores estão na origem desta marca territorial, que faz sobressair a região açoriana no panorama nacional e internacional, com objetivos concretos de promoção externa, mas também interna, servindo de eixo agregador de serviços e marcas, unindo a uma só voz a identidade de todos os parceiros.

A Marca Açores serve assim o propósito de fomentar a exportação das 9 ilhas, tanto a nível turístico como dos seus produtos regionais, considerando-se também os serviços que beneficiam desta promoção para ganhar mais notoriedade e alcançar outros mercados.

A atribuição do selo Marca Açores está disponível para produtos alimentares e não alimentares, artesanato, serviços e estabelecimentos, permitindo a identificação da origem, estimulando por essa via, a preferência pelo consumo dos produtos açorianos. Integram atualmente o projeto Marca Açores cerca de 300 empresas com mais de 6 mil selos. A certificação decorre de um processo de candidatura, validado pelo Governo Regional dos Açores, através do Gabinete de Gestão e Promoção da Marca Açores.

Sobre a Ilha de Santa Maria

Com uma identidade marcada pelo território, de clima ameno e de características mediterrânicas que dão origem à designação de “Ilha do Sol”, Santa Maria é a mais antiga ilha dos Açores, com cerca de 8 milhões de anos, sendo também a primeira a ser descoberta. Da vasta riqueza subaquática que habita as suas águas cristalinas, às encostas, baías, florestas e praias de areia clara, com destaque para o inigualável Deserto Vermelho, constituído por cinzas vulcânicas com mais de 4 milhões de anos, é um destino de aventura, natureza e balneário, outrora procurado e saqueado por piratas.

Esta ilha que, juntamente com São Miguel, constitui o grupo Oriental do arquipélago, tem apenas um único concelho, Vila do Porto, o primeiro local a receber o foral de vila nos Açores, no século XV, pouco tempo após o descobrimento da ilha de Santa Maria, que ocorreu entre 1427 e 1432. Num conjunto de cinco povoações, Vila do Porto, Almagreira, Santa Bárbara, Santo Espírito e São Pedro, a população ascende a pouco mais de 5.400 habitantes. Uma das maiores expressões do território são as edificações de igrejas e ermidas, que traduzem a devoção dos marienses, sobretudo ao Divino Espírito Santo, mantendo vivas as tradições religiosas, que assumem um carácter distinto nesta ilha. As festas do Espírito Santo, que decorrem a partir do 7º domingo depois da Páscoa, são a maior expressão popular e religiosa da ilha, com a oferta das famosas Sopas do Espírito Santo em todas as freguesias, numa tradição que remonta ao continente, há mais de 700 anos.

Com uma geografia recortada, as atividades vulcânicas deram origem a profundas fendas e túneis, visíveis na Furna dos Anjos, com uma semicratera vulcânica repleta de socalcos com vinhas que dão origem à Reserva Natural da Baía de São Lourenço. Rodeada por ilhéus e rochedos, locais de nidificação de espécies de aves protegidas, ao longo da ilha o encontro com a grandeza da natureza é permanente, num convite a atividades como caminhadas, espeleologia, mergulho, parapente, windsurf, esqui aquático ou surf, ao mesmo tempo que as praias convidam a banhos em águas temperadas. No centro da ilha, o Pico Alto, assume o ponto mais alto, com 590 metros, onde se encontram espécies de flora endógena.

Com várias zonas de natureza protegida e reservas naturais, Santa Maria oferece um postal vivo, com natureza, tradições, produtos e receitas muito próprias, que fazem desta um dos destinos mais completos do nosso país.

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