A Confederação do Turismo de Portugal aponta para "um impacto negativo de cerca de 10 mil milhões de euros"

A Confederação do Turismo de Portugal aponta para "um impacto negativo de cerca de 10 mil milhões de euros"
Divulgação

A Confederação do Turismo de Portugal (CTP) "prevê que o impacto da COVID-19 se reflicta em quebras expressivas na actividade turística"

A CTP calcula que a as receitas turísticas deverão ter baixado em cerca 57%, não indo além dos oito mil milhões de euros, em 2020, um montante que traduz uma descida de 57% face a 2019 o resultado de um ano atípico “marcado pela pandemia COVID-19”.

De acordo com um comunicado enviado à imprensa esta segunda-feira, 04 de Janeiro, “a CTP prevê que o impacto da COVID-19 se reflicta em quebras expressivas na actividade turística, com destaque para as receitas provenientes do transporte aéreo, para o salto das contas externas do país e da balança turística”.


As receitas do transporte aéreo de passageiros deverão registar uma quebra na ordem dos 60%, atingindo cerca de dois milhões euros. Prevê-se um impacto negativo de cerca de 10 mil milhões de euros no saldo das contas externas do País colocando em causa o seu equilíbrio obtido nos últimos anos com a contribuição decisiva do Turismo”, refere a Confederação, que estima ainda uma queda de 62% no saldo da balança turística, para seis mil milhões de euros, com base em dados do Banco de Portugal.

Ao nível das dormidas, a CTP está igualmente pessimista e, com base em dados do INE, estima uma descida “na ordem dos 65% a 70% em 2020, com os proveitos totais da Hotelaria, Alojamento Local, Turismo no Espaço Rural e Turismo Habitação a registarem uma quebra na ordem dos três mil milhões de euros”.


Ao nível do movimento de passageiros nos aeroportos nacionais, a CTP antevê “uma quebra idêntica em termos de percentagem”, enquanto os passageiros de cruzeiros marítimos deverão apresentar descidas superiores a 80%.

No rent-a-car, o cenário é igualmente negro, com as previsões da CTP a apontarem uma redução da actividade no segmento dos veículos ligeiros de passageiros entre 65% e 70%, podendo chegar aos 80% na componente turística.


Apesar da vacinação estar já em curso, a CTP alerta que a COVID-19 vai continuar a ser uma ameaça em 2021, motivo pelo qual diz ser necessário tomar medidas “para acelerar o início da retoma do Turismo e da Economia, através do estabelecimento de padrões internacionais comuns para as viagens que em conjunto com as medidas sanitárias nos destinos devolvam a confiança aos turistas”.


“É crucial manter a oferta turística para poder captar a maior quota possível da retoma do Turismo Internacional. Acreditamos que o destino Portugal mantém toda a sua capacidade de atracção e que poderá inclusive ser beneficiado em termos de preferência dos turistas no contexto dessa retoma”, refere Francisco Calheiros, presidente da CTP.


Na informação divulgada, a CTP diz ainda que tem vindo a “dialogar com os seus associados e com o Governo no sentido de contribuir para encontrar soluções para fazer face às adversidades com que o Turismo tem sido confrontado” nesta crise provocada pela pandemia da COVID-19, que “dura há mais de nove meses e que está longe de chegar ao fim”.


Apesar das dificuldades que o sector atravessa, a CTP lembra que o turismo foi “o motor da recuperação económica de Portugal no período pós resgate financeiro de Portugal em 2011 e o impacto nas exportações foi decisivo para o superavit das contas externas até 2019”, e que 2020 tinha tudo para ser mais “um ano de crescimento em resultado da afirmação do destino Portugal nos mercados mundiais”, não fosse a pandemia.

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