Latam garante "reformulação das cabines dos voos nacionais até Julho de 2020"

CEO da Latam Brasil falou da chegada das low-cost ao Brasil, da entrada da Azul na ponte aérea Rio-SP, do serviço de bordo nos voos domésticos e da unificação do programa de fidelidade.

Jerome Cordier, CEO da Latam Brasi à comunicação social falou da chegada de empresas low-cost no Brasil, da entrada da Azul (accionaria da TAP) na ponte aérea Rio-SP, do serviço de bordo da Latam em voos domésticos, e ainda do potencial interesse da empresa na compra da Passaredo, bem como de outros temas importantes. Afirmou ainda que a Latam vai unificar seus programas e criar a quarta maior rede de fidelidade do mundo.


Relativamente à melhoria de conforto do passageiro, Cordier afirmou: “Temos o compromisso de estar à frente das transformações para atender as expectativas dos nossos clientes. Foi por isso que desenvolvemos uma nova experiência que assegura ainda mais conforto e comodidade para o viajante, tornando o nosso produto ainda mais competitivo” .
Também a tripulação da Latam se mostrou bastante satisfeita com a renovação das cabines para voos internacionais, as novas poltronas-cama e o novo serviço de bordo da classe executiva, bem como da instalação dos assentos Latam+, novos revestimentos e portas USB na cabine económica.

 

O CEO explicou que “a classe executiva que custou nove milhões de dólares (aproximadamente oito milhões de euros) para remodelação de cada avião". Isso mostra a "nossa disposição em melhorar, em evoluir… Mas é só o começo!"  Adiantou ainda que irão existir novas mudanças e melhorias que serão implementadas gradualmente. "Serão várias mudanças estratégicas de chave. De repente  quem entrar no site vai perceber que o fluxo de compra mudou one way (só ida), depois que mudou o round trip (ida e volta), e por aí fora…” O gestor deixou uma garantia, que “todos as cabines das Boeing 777, que voam no Brasil, serão reformadas até Fevereiro de 2020.

Jerome Cordier lembrou que o novo Centro de Manutenção de Linha (CML) inaugurado pela empresa tem relação directa com a experiência de viagem dos passageiros, já que promove melhorias na pontualidade e na regularidade das operações. “Evoluímos muito operacionalmente e o CML é um dos factores desse salto de qualidade. Já somos a companhia aérea mais pontual do Brasil desde o início do ano”, concluiu..

 

O presidente da Latam lembrou que as melhorias nas cabines não se vão restringir aos aviões de grande porte que fazem as rotas internacionais. “Já temos quatro aeronaves narrow body referindo-se aos aviões de fuselagem estreita, A320, que fazem rotas domésticas ou regionais) voando com mudanças no interior. Foram instalados assentos com espaço de 86cm nas primeiras cinco filas e teremos dezenas de outras até 202 ."A intenção é concluir a reformulação das cabines dos voos nacionais até Julho de 2020, o que, além das poltronas Latam+, inclui a renovação no revestimento das poltronas, que terão acabamento em couro.Em breve a companhia vai revelar mais detalhes do que começou a ser feito para melhorar o conforto dos passageiros nos voos domésticos e regionais”.


Relativamente ao serviço a bordo lembrou: “Conforme divulgamos na semana passada, a empresa suspendeu a venda do Mercado Latam, o serviço de bordo pago, e passou a servir biscoito amanteigado acompanhado de refrigerante, água, sumo, ou café, como cortesia". “Apesar de ter baixado o custo para empresa, o Mercado Latam não dava lucro. Deu prejuízo! Tivemos que rever”, disse, sem revelar números.

 

Salientou que ainda estuda como será o novo serviço e que acredita num misto entre o pago e o gratuito. “Deveremos ter rotas com serviço gratuito e outras com a venda a bordo. Uma decisão final deve ser tomada para estar em vigor já na alta temporada de verão.”

 

Jerome destacou que a Latam pensa ainda noutras mudanças: “Devemos oferecer um serviço diferenciado para o cliente viajando nos assentos Latam+ (sem especificar se seria nos voos domésticos ou internacionais). Não batemos o martelo ainda e tudo está sendo pensado para melhorar ainda mais a experiência do nosso passageiro”.

O presidente afirmou ainda que o wi-fi vai chegar a 100 aeronaves num prazo até 18 meses. Hoje 35 aeronaves já oferecem o serviço, incluindo todos os Airbus A319 que operam na ponte aérea Rio-SP. Mas ressaltou a baixa utilização do produto, que é cobrado: “Há pouca gente disposta a se conectar, principalmente em voos mais curtos, que é onde oferecemos a conectividade a bordo”.

Também destacou a possibilidade de, no futuro, a Internet a bordo estar incluída como um serviço opcional nas tarifas de passagem comercializadas pela empresa, ou para classes superiores, como acontece nos hotéis: “Lembram-se quando a Internet era cara e pouca gente comprava? Hoje, a maioria dos hotéis oferece o serviço dentro da diária ou de uma tarifa ou categoria de hospedagem superior. Com isso, muito mais hóspedes passaram a ser conectar”, disse.

 

Cordier falou ainda sobre a possível vinda da quarta companhia aérea low-cost para o país, após a ANAC autorizar a JetSmart a operar voos entre o Brasil e a Argentina.
A empresa junta-se assim a europeia Norwegian, a chilena Sky Airline e a argentina Flybondi. “Eu acho que entrada de companhias de baixo custo é uma realidade de qualquer país e qualquer mercado. O que a gente tem feito nos últimos tempos nos prepara para qualquer tipo de concorrência". Afirmou ainda que "o que a gente viu nos últimos anos foi uma Latam buscando muito eficiência na sua operação e bastante preocupada em utilizar sua frota de forma eficiente. A pontualidade, além de ser algo procurado pelo passageiro, faz com que eu consiga ter uma frota adequada a necessidade do mercado, nem mais, nem menos do que o necessário".


E continuou: “Acredito que os meus concorrentes no mercado brasileiro também fizeram isso, também buscaram eficiência. Eu considero que a Latam, a GOL e a Azul já são low-cost aqui no Brasil. O que importa é termos condições económicas favoráveis para buscar mais eficiência, com o ICMS sobre o combustível, o imposto sobre a folha salarial, acções na justiça etc. O Brasil é muito particular nessas matérias”, destacando que isso impacta o mercado como um todo, incluindo qualquer low-cost interessada em operar no Brasil.

Jerome mostrou preocupação com um ponto específico: “Esta semana haverá uma discussão no Congresso que pode ter um impacto muito grande no mercado brasileiro e afastar novas empresas low-cost do país. É a discussão sobre o veto do Presidente Bolsonaro do item que proibia a cobrança de bagagem despachada". O responsável vincou que "o Brasil vai decidir se continua como quase todos os países do mundo, ou se quer integrar o grupo de Rússia e Venezuela, como únicos países que tenho conhecimento que proíbem esse tipo de cobrança".  Este é um ponto, importante, que "nos preocupa, concorrência com novas low-costs ou com a Azul não! Corremos o risco de dar um passo para trás e convidar menos empresas a vir para o Brasil. Vai ser uma jabuticaba”, enfatizou, destacando que o modelo que as low-cost avaliam e operam é dependente da cobrança da bagagem.

 

Sobre a entrada da Azul na ponte aérea Rio-SP, o CEO referiu "a ponte aérea, assim como qualquer outra rota, pode e deve receber concorrência. Já tínhamos tinha a concorrência da Avianca e agora voltamos a ter um terceiro competidor (a Azul)". Mas sem receio afirmou que "pode até ter um quarto e um quinto, se fizer sentido economicamente e couber na capacidade dos aeroportos". No entanto para si "a Azul está certíssima em investir nas rotas onde ela quer operar e nós estamos de braços abertos". Desde o começo a Latam foi a companhia aérea que "menos atritos criou, apoiamos a abertura de capital estrangeiro, apoiamos o acordo de céus abertos, diferentemente da Azul. Então a gente nunca foi contra a concorrência. Bem-vindos a ponte aérea!”, disse.

 

Perguntado sobre as questões levantadas pelo Presidente da Azul, John Rodgerson, sobre o duopólio da GOL e da Latam no aeroporto Paulista de Congonhas, foi firme: “Estamos num momento que é muito fácil fazer alegações, às vezes, sem nenhuma sustentação. Estamos vendo um embate de um grupo de apoia a concorrência e de outro grupo (se referindo a Azul) que apoia a concorrência que quer!

Existe interesse no mercado de aviação regional e na compra da Passaredo?: “É dever de todas as companhias aéreas que operam no mercado entender se existem ou não oportunidades. Neste momento não é a hora de se considerar uma aquisição no mercado brasileiro". Isto porque existem outras prioridades, como "a melhoria no produto (referindo-se a renovação das cabines dos aviões), do atendimento, da comida. Acho que essa é nossa agenda imediata, ter uma operação melhor e mais eficiente para o passageiro”, concluiu.

 

Sobre o interesse em voos regionais, ressaltou: “Já temos um acordo de codeshare com a Passaredo. Nesse momento não pensamos em nenhuma solução diferente da existente, até porque os mercados que competimos hoje são diferentes. A GOL e a Azul são companhias aéreas mais baseadas no doméstico". Por sua vez a Latam é uma companhia aérea "mais multinacional com uma operação internacional mais relevante, por isso temos outras frentes de batalha, quem sabe, simultâneas. Por isso, não vejo muita no curto prazo, na frente regional”, rematou.

Com: Site Melhores Destinos

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