Associação do Alojamento Local promove formação a nível nacional

A Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP) comunicou hoje que é "urgente" esclarecer os operadores do sector das alterações legislativas, organizando sessões de esclarecimento a nível nacional, começando por Lisboa.

 

O presidente da  ALEP avançou à Lusa "vamos fazer ao longo dos próximos dois meses e meio, até ao final de Janeiro, sessões nos principais pontos do país", nomeadamente Algarve, Lisboa, Porto e Madeira, indicando que as acções de esclarecimento destinam-se, essencialmente, a quem já é titular de alojamento local, mas também a quem pretende investir no sector.

A primeira iniciativa da ALEP vai realizar-se na capital, no sábado, com o tema "O futuro do alojamento local em Lisboa".

"O objectivo principal é esclarecer as mudanças que aconteceram, houve muitas mudanças com a nova lei, mesmo questões fiscais", declarou Eduardo Miranda, considerando que o debate em torno do processo legislativo "trouxe mais dúvidas do que respostas, e têm-se ouvido muitas explicações erradas, interpretações mal feitas".

Neste sentido, Eduardo Miranda considerou ser "urgente" ajudar os titulares de alojamento local a esclarecer, "de uma forma prática e directa", as dúvidas sobre as novas regras.

Entre os temas a esclarecer destacam-se as zonas de contenção e a intervenção dos condomínios na autorização do alojamento local, avançou o dirigente, acrescentando que há outras alterações à lei do sector "que têm sido um pouco esquecidas", mas que, também, devem ser clarificadas, nomeadamente novas obrigações relativamente aos manuais de informação, à capacidade dos estabelecimentos e ao novo processo de registo.

No que diz respeito à obrigação de um seguro multirriscos de responsabilidade civil, que a nova lei determina, mas que em Portugal não existe nenhum seguro com essa classificação, a ALEP espera que, "em breve", a situação seja esclarecida, "por iniciativa legislativa", referindo que "sempre apoiou e sempre achou que era uma medida interessante este seguro, desde que fosse proporcional".

Sobre o futuro do sector em Lisboa, Eduardo Miranda recordou que "o alojamento local passou de um nicho ou um sector com potencial de crescimento para se tornar um dos pilares do turismo", representando hoje "um terço das dormidas, a caminhar muito próximo de representar metade das dormidas nos próximos anos", pelo que o desafio que se coloca aos operadores tem a ver com a profissionalização.

"Temos que ajudar os operadores, os proprietários, os gestores de alojamento local, a se profissionalizarem, mas sem perderem aquilo que consideramos a alma, o atendimento personalizado, esse é um desafio bastante grande, ou seja, profissionalização com personalização", afirmou o responsável da associação do sector, reforçando que o que há de diferenciador no alojamento local é "a capacidade de vender o que Portugal tem de melhor, que são os portugueses".

Relativamente ao papel das câmaras municipais na autorização do alojamento local, Eduardo Miranda prevê "um impacto variado" entre os 308 municípios portugueses, já que a fixação de áreas de contenção apenas se pode aplicar em zonas de sobrecarga, como é o caso de alguns bairros de Lisboa.

"No resto do país é uma questão de adaptação. Acreditamos que os titulares vão adaptar-se, é preciso, sim, que tenham um conhecimento claro e prático do que é que são estes requisitos novos", frisou o presidente da ALEP, advogando que é fundamental que cada município "crie o mais rápido possível o seu regulamento para deixar as regras do jogo claras".

O diploma que permite às câmaras municipais e às assembleias de condóminos intervirem na autorização do alojamento local entrou em vigor a 21 de Outubro, permitindo a fixação de áreas de contenção, "por regulamento e com deliberação fundamentada", para "preservar a realidade social dos bairros e lugares".

Lusa/O Turismo.PT

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